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quarta-feira, 6 de março de 2013

A Energia Sexual e a Espiritualidade

A partir do nitnet, extraido, com pequenas alterações, do site: http://pedacinhosdeluz.blogspot.com/2009/03/energia-sexual-e-espiritualidade.html)



Para o aspirante à evolução espiritual, esse é um assunto complexo e, um tanto constrangedor.
Temos que considerar a diferença de propósitos entre nossa personalidade e nosso ser superior.
Nossa personalidade usa o sexo para satisfazer seus desejos e impulsos, visando o prazer carnal e a reprodução; enquanto que..., nosso ser superior pode utilizar a energia sexual na ascensão espiritual, envolvendo o amor.

Nosso ego controla nossos desejos, extravasando a energia sexual apenas pelo chakra sexual, sem elevar essa energia aos chakras superiores, dentro de um propósito divino, como almeja nossa alma.

Na personalidade, especialmente no período da juventude, quando os hormônios masculino e feminino estão no seu auge, a sexualidade ocupa um papel destacado na maioria das pessoas, que olham para o sexo oposto como parceiros em potencial, sem considerar a possibilidade de uma relação de cunho espiritual.
Simplesmente, quer sentir o prazer que o sexo proporciona, e pronto! Se não possui um parceiro sexual não consegue se sentir feliz, e pode se tornar irritadiço e mal-humorado.

Nossa alma busca elevar a energia do chakra Svadhisthana que significa “Morada do Ser” visando uma conexão com o Alto e para chegar a orgasmos muito mais satisfatórios, plenos de espiritualidade, além da volúpia carnal, com emoção, responsabilidade e muito carinho. Quando a alma está presente na relação, o sexo não é mais a satisfação de nossas descargas hormonais, mais um ato puro e legítimo de verdadeiro amor! O nível de prazer é incomparável neste caso, podendo ser atingido o êxtase espiritual. Para maiores informações, consulte Tantra (2).
O sentimento amoroso deve ser partilhado entre as partes do casal, de uma maneira suave e terna, em que os parceiros fundem-se em um só sentimento. A alma coloca em primeiro lugar a outra pessoa e quer partilhar esse amor o maior tempo possível. Nada se espera em troca e tudo se ganha.
Nossos sentidos (tato, visão, paladar, audição) se aguçam e nos tornamos muito mais sensíveis ao delicado prazer. 


 Toda pessoa que está completamente centrada nos princípios divinos do Amor Incondicional e não admite outro tipo de relacionamento que não seja baseado na compreensão, companheirismo, amizade, cumplicidade, carinho, pode passar muito tempo sem ter relações sexuais, sem que isso lhe cause qualquer perturbação, até encontrar o parceiro que compartilhe de suas idéias. Mantém-se à espera do parceiro correto para vivenciar uma relação mais amorosa e livre de amarras cármicas.
As amarras são como fios de energia ligando um ao outro. Em toda relação sexual, existe troca de fluídos entre os parceiros. Cria-se um vínculo espiritual entre eles que não pode ser rompido, a não ser por um processo de purificação.



 Se não dominamos nossos impulsos sexuais, poderemos ser envolvidos pelas amarras cármicas, por onde continuam fluir sentimentos entre as pessoas conectadas.
Por exemplo, se dormirmos com uma pessoa mal humorada, com crises de depressão, ou com muita raiva, passamos a vivenciar essas pesadas emoções de nosso(a)(s) parceiro(a)(s). Muitas vezes, começamos a apresentar o mesmo comportamento daquele(a)(s).
Seria mais do que inteligente de nossa parte escolher com cuidado nossos parceiros.
O estado emocional que tivermos na hora da relação será o que iremos implantar em nossos companheiros (as). Antes de nos envolvermos com alguém, devemos ponderar amorosamente o que isso vai gerar na outra pessoa e em nós mesmos!
Culpa? Remorso? Qual sentimento será gerado em você? Que tipo de energia irá trocar com a(s) outra(s) pessoa(s)?
A energia sexual é uma das mais poderosas do Universo. Tentar controlá-la não é tarefa fácil. Precisamos escolher entre nossa consciência animal e nossa Consciência Crística.
Devemos elevar nossos instintos mais primitivos para uma condição de Amor Incondicional, quando nos pegamos olhando para alguém ou pensando em alguém com desejo puramente sexual. Isto requer auto-vigilância constante!
Precisamos começar a aprender a trabalhar com a energia sexual e purificá-la.
Como purificar essa energia?
Em primeiro lugar, devemos ter em mente que nosso corpo não é isolado de nosso Aspecto Divino. Quando reconhecermos esta verdade, poderemos usar a energia sexual como um instrumento para nos conectarmos com Ele.
Precisamos abrir todos os nossos chakras, principalmente o do coração e não utilizar mais só os dois primeiros (basal e sexual). 


 Abrindo nosso chakra do coração para a energia sexual , quando estamos amando nosso par como a nós mesmos, fortalecemo-nos contra doenças físicas e/ou psíquicas.
A energia da sexualidade precisa encontrar seu caminho para a Força Criativa de Deus.
Uma das práticas para sublimar a energia sexual é a abstinência de ato sexual por um curto período de tempo, que varia de pessoa para pessoa, conforme sua providência e necessidade. Quando retomarmos as atividades sexuais, procuremos fazê-la com a alma.
Sinta suas emoções! Tente ficar só com você mesmo. Conecte com seu Eu Superior. Seja o senhor de sua sexualidade e não se deixe dominar por ela.

 Eleve sua energia sexual ao Plano Superior, toda vez em que senti-la atuante em você. Peça ajuda ao Mestre Ascencionado que tiver mais afinidade, para que ele o oriente como controlar e equilibrar sua energia sexual, de forma seja usada apenas com amor.
O objetivo disto é a sublimação de sua energia interna. Tente elevar essa energia da seguinte forma:
Inicie o por seu chakra básico. Visualize-o na cor vermelha, girando em sentido horário, por alguns segundos.
Em seguida, visualize seu segundo chakra, na cor laranja, girando em sentido anti-horário e reunindo toda sua energia interna sexual. Comece a elevação energética em sua tela mental, na forma de uma esfera de luz laranja que serpenteia, em sua coluna vertebral e passa por todos os seus chakras.
Passe a esfera por seu chakra do plexo solar, seu terceiro. Depois, passe-a em seu quarto chakra, o cardíaco. Após isto, pelo quinto chakra, da garganta, pelo sexto da terceira visão, pelo seu coronário (sétimo chakra) e finalmente estabilize essa energia laranja, elevando-a a sua Presença Eu Sou.
Quando sentir sua energia sexual ancorada na Presença, proclame:
Eu Sou abençoado por esta energia, agora! 


 Peça ao Mestre Ascensionado que o ajudou a manter estável dentro de você a energia sexual elevada.
Faça esses exercícios dos chakras toda vez que sentir impulsos sexuais desenfreados. É muito importante, durante o processo de purificação que se abstenha de relações sexuais. Quando sentir que pode controlar essa energia, volte a pensar em seus relacionamentos com outra postura.
Sempre que estiver fazendo amor com seu(sua) parceiro(a), eleve sua energia sexual ao Plano Superior de Luz, à sua Presença Eu Sou. Essa prática deve ser usada assim que começarem as carícias amorosas preliminares. Em seguida, entregue-se ao amor de corpo de alma. Além de mantê-lo como uma pessoa sexualmente mais equilibrada, acelera seu processo de ascensão, em virtude da transmutação energética para propósitos além dos mundanos. E lembre-se: o prazer é muito maior...
Dessa forma, você se tornará um gerador de Amor e Luz, emanando apenas isto para quem se relacionar com você.
Perceberá que é muito mais gratificante um relacionamento baseado na elevação divina de sua energia sexual.

(1) Kundalini - (Wikipédia) 


 Kundaliní é o alegado poder espiritual primordial ou energia cósmica que jaz adormecida no Múládhára Chakra, o centro de força situado próximo à base da coluna, e aos órgãos genitais. É a energia que transita entre os chakras.
Deriva de uma palavra em sânscrito que significa, literalmente, "enrolada como uma cobra" ou "aquela que tem a forma de uma serpente". É a energia do Universo em seu aspecto Purna-Shakti, total, como potencial, sendo o Prana-Shakti o aspecto biológico, ou fisico, como calor, eletricidade, etc.
O termo é feminino, deve ser sempre acentuado e com pronúncia longa no í final. Muitos por a considerarem sagrada, grafam o nome com "K" maiúsculo. O símbolo do caduceu é considerado como uma antiga representação simbólica da fisiologia da Kundalini.
Segundo a crença, enquanto está adormecida, assemelha-se a uma chama congelada. O "despertar" da energia divina Shakti Kundalini requer a orientação de um mestre realizado, para que o ativamento e desenvolvimento sejam apropriados e conduzam à meta suprema do Yoga que é a paz interior e a realização divina. É também tema de estudo no campo da psicologia onde a reputam de difícil condução com a disciplina e maturidade que são requeridas para esse intento, pois é um conceito oriental, com outros significantes, e sem paralelos com a psicologia. Não existem evidências científicas que corrobem as alegações do Kundalini.


Tantra (Sânscrito: tratado sobre ritual, meditação e disciplina), yoga tântrico ou tantrismo é uma filosofia comportamental de características matriarcais, sensoriais e desrepressoras. Essencialmente, a prática tem por objetivo o desenvolvimento integral do ser humano nos seus aspectos físico, mental e espiritual.

 Origem da expressão

 A palavra "tantr...a" é composta por duas raízes acústicas: "tan" e "tra". "Tan" significa expansão e "Tra" libertação.
Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na Índia Hinduísta, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão).
Dispondo de imensos significados e interpretações, mais ou menos corretos, tais como teia, trama ou entretecido. Tantra pode ser interpretado, mais corretamente, como algo que é regulado por regras gerais.


 Descrição

 Tantra é uma filosofia hindu muito antiga cuja natureza comportamental mais lhe faz delinear, tendo por características: matriarcal, sensorial, naturalista e desrepressora[carece de fontes?], também é o Tantra um complexo sistema de descrição da realidade objetiva tornando-o assim uma ciência prática e aplicável, sendo a base do pensamento de um povo muito muito antigo que até hoje faz ecoar sua influência sobre a sociedade contemporânea.
Nas sociedades primitivas não-guerreiras, na qual a cultura não era centrada na guerra, a mulher era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos. Dai, a qualidade matriarcal. A partir dessa qualidade desdobra-se a qualidade sensorial ("a mãe dá à luz pelo seu ventre e alimenta o filho pelo seu seio") e a desrepressora, tendo que a mãe é sempre mais carinhosa e liberal que o pai, pelo fato de o filho ter nascido do seu corpo e a própria natureza, normalmente, ter o macho como mais agressivo[carece de fontes?].
Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outras).
Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras até se obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como samadhi.
No Tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento, para o Tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento, para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultra sons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação de grande complexidade (realizadas apenas com apoio de um guru experiente, pois podem ser fatais).
Afirma-se que poucas pessoas estão prontas para o tantra, principalmente aquelas tipo pashu-bava (disposição animal). A observância do celibato, honestidade, respeito aos mais velhos, limpeza corporal, limpeza ritual através de orações e outros processos, por longos anos, deve levar ao abandono dos desejos, ambição, motivação sexual, etc. Se ainda assim estas características persistirem, a pessoa não está apta para o tantra. Portanto, mais ainda que outros yogas, o tantra, seja hindu ou budista, é um sistema que depende de um guru e que tem poucos adeptos fora da Índia.
Os dois ramos
Segundo alguns autores o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita". Embora o objetivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem. A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supra-normais. A "mão direita" está ligada à canalização de toda a energia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como "Vidya Tantra" ou tantra do conhecimento e a mão esquerda como "Avidya tantra". O tantra corretamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano. Apesar disso o tantra é muitas vezes encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra. É bem conhecido o fato de que o Budismo Tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.
Influência no ocidente
Alega-se que o tantra teve forte influência no ocidente nas ciências ocultas. Diversos ramos do ocultismo contemporâneo, particularmente os que se dizem gnósticos ensinam alguma versão de "sexo sagrado", e são conhecidos pela expressão "espermo-gnósticos".
Muito da linguagem sexual encontrada na alquimia supostamente tem sua origem em tradições orientais relacionadas com o Tantra.
Particularmente a linha thelemita, fundada pelo polêmico mago e ocultista do início do século XX, Aleister Crowley, alega ter levado essa influência ao seu maior extremo e se apresenta como um tantra ocidentalizado.
Outra linha tântrica, que pode ser chamada de Tradição da Mão Direita, foi muito difundida, Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor. Para eles, o Tantra teria como "braço mágico" certas práticas que canalizariam a energia sexual para o Despertar da Consciência Espiritual.

Nadi - Wikipédia
A palavra Nadi vem da raiz nad (do sânscrito ), que significa canaleta, córrego, ou fluxo do nada, e é o canal pelo qual circula o prana pelo corpo.
Definição
Uma Nadi (plural: Nadis) é uma formação de energia na forma de canal na qual o prana flui e pode se conectar aos chakras. Ele ainda não é aceito pela comunidade cientifica.
Elas começam do centro dos chakras e fluem para a periferia se tornando cada vez mais finas, tendo uma função extra sensorial, causando em parte as respostas empáticas e instintivas.
Número e Principais Nadis
Existe uma indefinição nos tratados quando ao número de Nadis. No Shiva Samhita é de 350.000 Nadis. Já o Hatha yoga Pradipika mencionava, há 3500 anos, 72.000 Nadis. Na prática do Yoga são mencionados entretanto somente as três principais: Sushumna, Ida e Pingala.
A Sushumna, é talvez o mais importante dos canais de energia. Ela segue o alinhamento do Merudanda (Meru: a montanha que é o eixo do mundo pela mitologia Hindu), o eixo da coluna vertebral (cerebro-espinhal) e flui da extremidade inferior da mesma até chegar a extremidade da cabeça, na assim-chamada coroa-craniana. Sushumna é descrito como de cor vermelha (a cor do fogo (Agni)).
As nadis da Ida e da Pingala são frequentemente relacionados aos dois hemisférios do cérebro.
Pingala é o princípio masculino (aquecendo-se para acima, tem como qualidades a extroversão e a energização). É a nadi solar, e corresponde ao lado direito do cérebro.
Ida é o o princípio feminino (tranquilizando para baixo, tendo como qualidades a introversão e a serenidade). É a nadi lunar, correspondendo ao lado do esquerdo do cérebro.
As duas nadis são estimuladas e limpas com a prática do Nadi Shodhana Pranayama, que envolve respirar alternamente através das narinas esquerdas e direitas, que estimulariam alternadamente os lados respectivamente direito e esquerdo do cérebro.
Nadis são consideradas às vezes como estendendo até à pele do corpo, outras como se estendendo ao limite da aura.

Chakra Sexual
O nome sânscrito Svadhisthana significa “Morada do Ser”, sendo que ele é mais conhecido como chakra sexual – o que contribui para algumas distorções. Também Pode ser chamado de Chakra esplênico – um “aportuguesamento” de spleen, que é “baço”, em inglês – ou chakra sacro – em referência ao osso de mesmo nome.

Localização: Alguns adeptos do uso exclusivo do sistema de 7 chakras colocam o Svadhisthana um pouco acima do Muladhara, dois dedos abaixo do umbigo ou sobre o baço, como na ilustração aqui do lado.

Svadhisthana é o chakra das parcerias e do respeito ao próximo. Rege todas as formas de relacionamentos (e não apenas os sexuais!), principalmente nas questões que envolvem integridade e honra. No momento em que a nossa verdade é maculada (quando vivemos um personagem, e não nós mesmos), todo o sistema é comprometido, e isso é especialmente interessante em um chakra que nos fala das relações de poder, o controle que temos sobre outras pessoas e/ou que estas têm sobre nós.

Cada ser cumpre o seu papel. Mesmo os que nos incomodam por algum motivo (ou especialmente estes) têm algo a nos ensinar. Os relacionamentos não são negativos porque existe algum tipo de resistência ou oposição, mas porque transformamos o outro em um inimigo – neste momento a energia muda.

Na tradição védica, Vishnu, o Senhor da Preservação, é regente deste centro de energia. É ele quem, de tempos em tempos, se manifesta na forma de um avatar para salvar o planeta de grandes catástrofes. Duas destas encarnações (no total de 10) são bastante conhecidas: Rama e Krishna. A preservação da raça humana depende de seu instinto de procriação, daí um dos aspectos da sexualidade de Svadhisthana - “crescei e multiplicai-vos”.

Esta é a morada dos desejos, sensações físicas e fantasias, por isso está associado à criatividade e tem uma forte conexão com o chakra laríngeo – Vishuddha. De um lado a criatividade instintiva e, do outro, a criatividade inspirada. Artistas, de um modo geral, combinam muito bem estas duas forças para que suas idéias fluam de forma harmoniosa, produtiva e concreta.

Quando equilibrado, o segundo chakra promove um fluxo natural com a vida e os sentimentos, sem jogos, dependências ou manipulações e com grande entusiasmo e alegria. Fora do prumo, encontramos possessividade, ganância, medo de perdas, abandono, ciúme, ressentimento e solidão, entre outras coisas.

Harish Johari, por exemplo, diz que, enfraquecido, o chakra sexual pode provocar um estado de vazio e ausência de propósito; nada que é seu lhe excita, agrada ou chama a atenção, de modo que pode despertar inveja de possuir o que pertence ao outro – bens, recursos e talentos.

Outros problemas que surgem podem ser de ordem urinária e, como não poderia deixar de ser, sexual. É dito também que 30% da energia deste chakra é canalizado para a vitalidade das pernas, logo, para qualquer problema nos membros inferiores é preciso avaliar o grau de comprometimento deste chakra

Desequilíbrio dos chacras e as disfunções orgânicas


Este "post" faz parte da série de estudo sobre magnetismo - eteriatria.

Para ver as

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mahamudra - A experiência definitiva


Tantra-A Suprema Compreensão (Osho)







A experiência do definitivo não é, absolutamente, uma experiência, porque quem experimenta está perdido. E onde há aquele que experimenta, o que se pode dizer da experiência - Quem o dirá? Quem relatará a experiência? Quando não há sujeito, o objeto também desaparece: as margens desaparecem, apenas o rio da experiência permanece. O conhecimento ali está, mas o conhecedor está ausente.
Este tem sido o problema dos místicos. Alcançam o Definitivo, mas não podem relatar aos que lhes vêm após. Não podem relatá-lo a outros, que gostariam d ter essa compreensão intelectual. Tornaram-se um com o Definitivo. Todo o seu ser o relata, mas a comunicação intelectual é impossível. Poderão dá-lo a ti, se estiveres pronto para recebê-lo, poderão permitir que o alcances, se também o permitires, se fores receptivo e aberto. Mas as palavras não farão isso, os símbolos não ajudarão, teorias e doutrinas não serão de uso algum.
A experiência é tal que mais se assemelha a um experimentar, do que a uma experiência. É um processo: começa, mas jamais termina. Tu entras nele, mas jamais o possuis. É como uma gota caindo no oceano, ou o próprio oceano caindo na gota. É uma fusão profunda, uma unidade: tu simplesmente te dissolves nela. Nada fica para trás, sequer um traço; assim, como te comunicarás? Voltarás para o mundo do vale? Quem voltará daquela negra noite para te dizer?
Todos os místicos, em todo o mundo, sempre se sentiram impotentes no que se refere à comunicação. A comunhão é possível, mas a comunicação não o é. Isso deve ser entendido desde o princípio. A comunhão possui uma dimensão totalmente diferente; dois corações se encontram, e dá-se um caso de amor. A comunicação se faz de cabeça para cabeça. A comunhão se faz de coração para coração; a comunhão é um sentimento. Comunicação é conhecimento: só palavras são dadas, só palavras são ditas e só palavras recebidas e compreendidas. E as palavras são tais, a própria natureza das palavras é tão morta, que nada do que é vivo pode se relacionar através delas. Mesmo na vida comum - deixando de lado o Definitivo - mesmo um momento estático, quando realmente sentes algo e tornas-te algo, é impossível dizê-lo através de palavras.
Na minha infância eu costumava ir ao rio, logo ao amanhecer. A povoação é pequena. O rio é muitíssimo preguiçoso, parece mesmo que nem flui. Pela manhã, quando o sol ainda não se levantou, não se pode ver se corre, tão lento e silencioso ele se mostra. E pela manhã, quando não há ninguém ali, antes de os banhistas chegarem, o silêncio do rio é espantoso. Nem mesmo os pássaros cantam ainda, pela manhã; é muito cedo e não há som algum, apenas uma insondabilidade penetra tudo. E o cheiro das mangueiras suspende-se ao longo de todo o rio.
Eu costumava ir até lá, para o mais recuado canto do rio, só para me sentar ali, só para estar ali. Não havia necessidade de fazer nada; só o estar ali já era suficiente, tão bela era a experiência. Tomava banho, nadava e, quando o sol se erguia, ia para a outra margem, para a vasta extensão de areia, enxugava-me sob o sol, deitando-me ali, e, às vezes, adormecendo.
Quando voltava, minha mãe costumava perguntar: "Que estiveste fazendo durante toda a manhã?" E eu respondia: "Nada." Porque, realmente, eu nada estava fazendo. Ela retornava: "Como é possível? Que não tenhas feito nada? Deves ter estado a fazer alguma coisa." Ela tinha razão, mas eu também não estava errado.
Eu não tinha estado a fazer coisa alguma. Estivera apenas ali, com o rio, sem nada fazer, deixando que as coisas acontecessem. Se sentia vontade de nadar - preste atenção -, se sentia vontade de nadar, nadava; mas não era um ato de minha parte, eu não estava forçando nada. Se sentia vontade de dormir, dormia. As coisas aconteciam, mas não havia o que as fazia acontecer. E minha primeira experiência de satori iniciou-se junto àquele rio: nada fazer, estar ali, simplesmente, e milhões de coisas acontecendo.
Minha mãe, entretanto, insistia em que alguma coisa eu estivera fazendo; então eu dizia: "Está bem, tomei um banho e enxuguei meu corpo ao sol." Ela, então, se mostrava satisfeita. Eu, porém, não o estava, porque o que se passava no rio não podia ser expressado por palavras. "Tomei um banho" parece algo tão falho e descorado! Brincar no rio, boiar, nadar no rio eram experiências de tal modo profundas, que não fazia sentido algum dizer simplesmente: "Tomei um banho." Ou dizer apenas: "Eu estive ali, caminhei pela margem, sentei-me ali" - palavras que nada transmitiram.
Mesmo na vida cotidiana sentimos a inutilidade das palavras. E se ainda não sentiste a inutilidade das palavras, é porque não estiveste vivo, viveste apenas superficialmente. Se o que viveste, seja lá o que for, pode ser transmitido através de palavras, isso significa que absolutamente não viveste.
Quando, pela primeira vez, algo para além das palavras começa a acontecer, então a vida acontece para ti, a vida bate à tua porta. E quando o definitivo bate à tua porta, tu simplesmente te vês para além das palavras - tornas-te mudo, não podes falar. Nem mesmo uma só palavra se delineará em teu interior. E o que for que possas dizer parecerá tão descorado, tão morto, tão sem sentido, tão destituído de qualquer significação, que pensarás estar sendo injusto para com a experiência que te aconteceu. Lembra-te disto, porque Mahamudra é a última, a Definitiva experiência.
Mahamudra significa um orgasmo total com o Universo. Se tiveres amado alguém, algumas vezes sentiste uma fusão, uma submersão - os dois já não são dois. Os corpos permanecem separados, mas há algo entre esses corpos, algo como uma ponte, uma ponte de ouro, e a duplicidade interior desaparece. Uma vida-energia vibra em ambos os pólos. Se isso já aconteceu contigo, poderás compreender o que é Mahamudra.


Milhões e milhões de vezes mais profunda,
milhões e milhões de vezes mais alta é Mahamudra.
É um orgasmo total com o Todo, com o Universo.
É fundir-se na fonte do Ser.
Essa é a canção de Mahamudra. Foi belo da parte de Tilopa chamar a isso canção. Tu podes cantá-la, mas não podes dizê-la; podes dançá-la, mas não podes dizê-la. É algo tão profundo que o cantar pode transmitir, dela, minúscula parte - não o que cantares, mas a forma pelo qual cantares.
Muitos místicos simplesmente dançaram, depois de sua experiência com o definitivo. Não poderiam fazer outra coisa. Estavam dizendo algo através de todo o seu ser, de todo o seu corpo: corpo, mente, alma, tudo se envolvia naquela experiência. Dançavam, e aquelas não eram danças comuns. Na verdade, toda a sua dança nascera deles mesmos: era uma forma de contatar o êxtase, a felicidade, a beatitude.
Algo do desconhecido penetrara no conhecido, algo do além viera à terra - e que outra coisa poderias fazer? Dançar o fato, cantar o fato. Essa é a canção de Mahamudra.
E quem a cantará? Tilopa já não existe. A sensação orgásmica, ela própria está cantando, não é cantada por Tilopa. Tilopa já não existe. A própria experiência vibra e canta. Daí, a canção de Mahamudra, a canção do êxtase a canta. Tilopa fundiu-se. Quando aquele que procura se perde, só então a meta é atingida. Quando já não existe a experiência, a experiência ali está. Procura e perderás o que procuras, porque através da busca o que procuras se fortalecerá. Não procuras e encontrarás. O próprio fato de procurar, o próprio esforço torna-se uma barreira, porque quanto mais procurares, mais o ego se fortalecerá, como também aquele que procura... Não procures.
Esta é a mensagem mais profunda em toda a canção de Mahamudra: não procures; fica apenas onde estás, não vás a parte alguma. Ninguém jamais alcança Deus, ninguém o pode fazer porque não sabe qual é o endereço. Para onde irás? Onde encontrarás o Divino? Não há mapas, não há caminhos e não há ninguém para dizer onde Ele está. Não, ninguém jamais alcança Deus. Sempre se dá o contrário: Deus vem a ti. Quando estiveres pronto. E o estar pronto nada mais é do que estar em receptividade. Quando estiveres completamente receptivo, não haverá ego. Tu te tornarás um templo oco, sem ninguém lá dentro.
Tilopa diz, na canção, para te tornares oco como um bambu, nada por dentro. E, subitamente, no momento em que fores um bambu oco, os lábios do Divino estarão sobre ti, o bambu oco transformar-se-á numa flauta, e a canção começará - a canção de Mahamudra. Tilopa tornou-se um bambu oco, o Divino veio e a canção teve início. Não a canção de Tilopa, mas a canção da própria experiência Definitiva.
Alguma coisa sobre Tilopa antes de entrarmos nesse belo fenômeno. Não se conhece muito sobre Tilopa, porque nada, na verdade, pode ser conhecido sobre tais pessoas. Elas não deixam traços, não se tornam parte da História. Existem ao lado, não são parte do trânsito principal em que toda a Humanidade está se movendo. Elas não se movem no mesmo terreno. Toda a Humanidade move-se através do desejo, e pessoas como Tilopa movem-se na ausência do desejo. Elas simplesmente se afastam do trânsito principal da Humanidade, onde existe a História.
E, quanto mais distantes se colocam, mais mitológicas se tornam. Existem na qualidade de mitos; já não são acontecimentos do tempo. E assim é que deve ser, porque elas se movem para além do tempo - vivem na eternidade. Desta dimensão da nossa Humanidade comum, elas simplesmente desaparecem, evaporam-se. Só do momento em que estão evaporando, só desse momento é que nós nos recordamos, até então elas são parte de nós. Por isso é que não se conhece muito sobre Tilopa, sobre quem era ele.
Só existe a canção. É a dádiva de Tilopa; e foi concedida a seu discípulo Naropa. Essas dádivas não podem ser concedidas a ninguém - a não ser que exista uma profunda intimidade de amor. A pessoa tem de ser capaz de receber tal dádiva. E aquela canção foi concedida a Naropa, seu discípulo. Antes de recebê-la, Naropa foi testado de mil maneiras: sua fé, seu amor, sua confiança. Quando se soube que nada de duvidoso existia nele, nem mesmo a mais insignificante partícula de dúvida, quando seu coração estava inteiramente repleto de confiança e de amor, a canção lhe foi dada.
A indiferença é a chave; sê simplesmente indiferente. Ela aí está - aceite-a. Leva tuas energias, mais e mais, em direção à confiança e ao amor, porque a energia que se torna dúvida é a mesma energia que se torna confiança. Mantém-se indiferente à dúvida. No momento em que te tornares indiferente, tua cooperação será rompida, tu não a estarás alimentando - porque é através da atenção que todas as coisas se alimentam. se deres atenção à tua dúvida, mesmo que seja contra ela, será perigoso, porque essa mesma atenção é alimento, é cooperação. Devemos, apenas, ser indiferentes - nem a favor, nem contra: não sejas a favor da dúvida e nem sejas contra a dúvida.
Assim, terás que compreender três palavras. Uma palavra é dúvida, a outra é crença e a terceira é confiança ou fé, aquilo que no Oriente se conhece como shraddha. A dúvida é uma atitude negativa em relação a qualquer coisa. O que quer que se diga é ouvido, de inicio negativamente. Tu te sentes contra aquilo e encontras razões, racionalizações, que apóiam tua "negatividade". Há, então, a mente da crença. É tal e qual a mente da dúvida, só que de cabeça para baixo - não há muita diferença. Tal mente vê tudo como positivo e tenta encontrar razões, racionalizações, que apóiem essa atitude "a favor". A mente que duvida suprime a crença, a mente que acredita suprime as dúvidas - mas ambas são do mesmo tipo, a qualidade não é diferente.
Há, então, um terceiro tipo de mente; e dessa mente a dúvida simplesmente desapareceu. Quando a dúvida desaparece, a crença também desaparece. Fé não é crença, é amor. Fé não é crença, porque não é a metade, é total. Fé não é crença, porque nela não há dúvida, portanto, como podes crer? Fé não é racionalização, absolutamente: não é contra, nem a favor disto ou daquilo. Ter fé é ter confiança, uma confiança profunda, amor. Não encontrarás racionalização para isso; simplesmente é assim. Então, que fazer?
Não crie crenças contra a fé. Sê indiferente a ambas, crença e dúvida, e leva tuas energias em direção ao amor: ama mais, ama incondicionalmente. Não ames a mim apenas, porque isso não é possível: se amas, simplesmente amas. Se amas, simplesmente existes sob uma forma mais amorosa - tem amor não só pelo Mestre, mas pelo céu e pela terra. Tu, o teu ser, a tua própria qualidade de ser tornam-se um fenômeno de amor. Então, surge a confiança. E só a confiança assim pode ser concedida uma dádiva como a canção de Mahamudra. Quando Naropa esteve pronto, Tilopa concedeu-lhe sua dádiva.
Portanto, recorda-te de que, com um Mestre, não estás "viajando-com-a-cabeça". Dúvida e crença são, ambas, "viagens-com-a-cabeça". Com um Mestre tu "viajas-com-o-coração". E o coração não sabe o que é dúvida, o coração não sabe o que é crença - o coração simplesmente, confia. O coração é como a criança pequena que vai pela mão do pai, e o segue para onde ele for, sem confiar, nem duvidar: a criança é indivisa. A dúvida é metade, a crença é metade. Uma criança ainda é total, inteira. Vai, simplesmente, para onde quer que seu pai se dirija. Quando um discípulo se torna tal qual uma criança, só então podem ser concedidas as dádivas do mais alto grau da percepção.
Quando tu te tornas o mais profundo vale da recepção, os mais altos graus da percepção te podem ser concedidos. Só um vale pode receber um grau. Um discípulo deve ser absolutamente feminino, receptivo, como um útero. Só então tal fenômeno acontece, como vai acontecer nesta canção.
Tilopa é o Mestre, Naropa o discípulo, e Tilopa diz: Mahamudra está para além das palavras e símbolos, mas para ti, Naropa, sério e leal, isto deve ser dito...
Aquilo está para além de palavras e símbolos, de todas as palavras e de todos os símbolos. Então, como pode ser dito? Há, então, alguma forma? Sim, há uma forma. Se há um Naropa, há uma forma. Se há, realmente, um discípulo, há uma forma. Depende do discípulo o ser, ou não, encontrada essa forma.
Se o discípulo for tão receptivo que não tenha mente própria, não julgará se é errado ou certo: ele não tem mente própria, cedeu sua mente ao Mestre; ele é, simplesmente, receptividade, um vazio pronto para receber incondicionalmente o que quer que lhe dêem - e então as palavras e os símbolos não são necessários. E, então, algo pode ser dado. Podes ouvir isso entre as palavras, podes ler entre as linhas; e as palavras são apenas uma escusa. O que é verdadeiro acontece exatamente às margens das palavras.
Palavras são apenas artifícios, expedientes. O real segue as palavras como uma sombra. E, se estiveres muito preso à mente, ouvirás as palavras, mas não poderás comunicar-te. Mas se não fores absolutamente uma mente, então as sombras sutis que seguem as palavras, muito sutis, só o coração as pode ver, sombras invisíveis, ondulações invisíveis da percepção, "vibrações"... então a comunhão será imediatamente possível.
Diz Tilopa:
"Mas para ti, Naropa, sério e leal, isto deve ser dito" - Aquilo que não pode ser dito deve ser dito ao discípulo. Aquilo que não pode ser dito, aquilo que é absolutamente invisível deve se tornar visível para o discípulo. Isso depende, não apenas do Mestre, mas, e ainda mais, do discípulo.
Tilopa foi afortunado, encontrando Naropa. Tem havido alguns desafortunados mestres que jamais encontraram um discípulo como Naropa. Assim, o que quer que tenham ganho desaparece com eles, porque não há ninguém para receber.
Às vezes, os mestres viajam milhares de milhas para encontrar um discípulo. O próprio Tilopa foi da Índia para o Tibete para encontrar Naropa, para encontrar um discípulo. Tilopa vagueou por toda a índia e não pôde encontrar um homem daquela qualidade, um homem que recebesse a dádiva, que a apreciasse, que estivesse em condições de absorvê-la, de renascer através dela. E, desde que a dádiva foi concedida a Naropa, ele se transformou totalmente. Conta-se que Tilopa disse a Naropa: "Agora vai e procura o teu Naropa."
Naropa também foi afortunado, pôde encontrar um discípulo cujo nome era Marpa. Marpa também teve muita sorte: encontrou um discípulo cujo nome era Milarepa. E então a tradição desapareceu, não houve mais discípulos daquele grande calibre que fossem encontrados. Por muitas vezes surgiram e desapareceram religiões; por muito tempo aparecerão e desaparecerão. Uma religião não se pode tornar uma seita, uma religião depende de comunicação pessoal, de comunhão pessoal. A religião de Tilopa existiu apenas durante quatro gerações - de Naropa a Milarepa -, depois desapareceu.
A religião é como um oásis; o deserto é vasto, mas, às vezes, em minúsculas partes do deserto aparece um oásis. Enquanto dura, procura-o. Enquanto ele ali estiver, bebe da sua água - ele é muito raro.
Jesus disse muitas vezes aos seus discípulos: "Um pouco mais permanecerei aqui. E, enquanto eu estiver aqui, comam da minha carne, bebam do meu sangue. Não percam essa oportunidade" - por milhares de anos, um homem como Jesus pode não aparecer aqui. O deserto é vasto. O oásis, às vezes, aparece e desaparece, porque o oásis vêm do desconhecido e precisa de uma âncora sobre esta terra. Se não houver âncora, ele não poderá permanecer. Um Naropa é uma âncora.
Se te embriagares de Jesus ou Naropa, serás totalmente transformado. A transformação é muito fácil e simples; é um processo natural. Só precisa tornar-te solo e receber a semente; tornar-te útero e receber a semente.
Mahamudra está para além das palavras e símbolos, mas para ti, Naropa, sério e leal, isto deve ser dito...
Isso não pode ser expresso - é inexprimível -, mas tem de ser dito a um Naropa. Assim que o discípulo esteja pronto, o Mestre aparecerá, terá de aparecer. Onde quer que exista uma profunda necessidade, ela deve ser satisfeita. A completa existência responde à tua necessidade mais profunda, mas deves sentir a necessidade. De outra maneira, poderás passar por um Tilopa, por um Buda, por um Jesus, e não serás capaz nem mesmo de ver que passaste por Jesus.
Tilopa viveu neste país. Ninguém o ouviu, mas ele estava pronto para conceder a dádiva do Definitivo. Que aconteceu? E isso aconteceu neste país muitas vezes; deve haver algo por trás disso. E isto aconteceu neste país mais do que em qualquer outro lugar, porque mais Tilopas foram nascidos aqui. Mas por que acontece que um Tilopa tenha de ir ao Tibet? Por que acontece que um Bodidarma tenha de ir à China?
Este país sabe demais, este país têm se tornado demasiadamente preso à cabeça. Eis por que é difícil encontrar um coração - o país dos brâmanes e pundites, o país dos grandes conhecedores, dos filósofos. Eles conhecem todos os Vedas, todos os Upanixades; podem dizer de memória todas as escrituras: um país da cabeça. Por isso é que aquilo tem acontecido muitas vezes.
Mesmo eu sinto, tantas e tantas vezes senti, que onde chega um brâmane é difícil haver comunicação. Um homem que sabe demais torna-se quase impossível, porque ele sabe sem saber. Reuniu muitos conceitos, teorias, doutrinas, escrituras. Apenas sobrecarregou sua percepção, não a fez florescer. Nada do que sabe aconteceu a ele, tudo é emprestado; e tudo o que é emprestado não passa de entulho, podridão. Deita isto fora, assim que o puderes fazer.
Só o que acontece contigo é verdadeiro.
Só o que em ti floresce é verdadeiro.
Só o que em ti cresce é verdadeiro e vivo.
Lembra-te sempre disso: evita conhecimentos emprestados.
O conhecimento emprestado torna-se um artifício da mente; esconde a ignorância, jamais a destrói. E, quanto mais estiveres rodeado de conhecimentos, bem profundamente, no centro, na própria raiz do teu ser, haverá mais ignorância e obscuridade. E um homem de conhecimento, de conhecimento emprestado, está quase que completamente fechado dentro de seu próprio conhecimento. E é difícil penetrá-lo, é difícil encontrar-lhe o coração, pois ele próprio perdeu o contato com o seu coração. Assim, não foi incidentalmente que Tilopa teve que ir ao Tibete, e Bodidarma à China: a semente teve de viajar para muito distante, não encontrando solo aqui.
Lembra-te disso, porque é muito fácil alguém tornar-se fortemente apegado ao conhecimento: é uma paixão, uma droga. O LSD não é tão perigoso, a maconha não é tão perigosa. De certa forma, são similares, porque a maconha dá um vislumbre de algo que ali não existe, dá-te um sonho de algo que é inteiramente subjetivo, dá-te uma alucinação. O conhecimento também: dá-te a alucinação de conhecer. Começas por sentir que sabes, porque podes declamar os vedas; sabes, porque podes argumentar; sabes porque tens a mente muito lógica e aguda. Não sejas tolo! A lógica nunca levou ninguém à Verdade. E uma mente racional é apenas um jogo. Todos os seus argumentos são pueris.
A vida existe sem argumento algum e a Verdade não necessita de provas - necessita apenas do teu coração. Não de argumentos, mas do teu amor, da tua confiança, da tua disponibilidade para receber.
"O Vácuo não precisa de confiança,
Mahamudra repousa sobre nada.
sem fazer esforço,
mas permanecendo desprendido e natural,
é possível quebrar o jugo,
ganhando assim, a libertação."
Se há alguma coisa, ela necessita de apoio, necessita de confiança. Mas se nada há, se apenas o vazio existe, não há necessidade de apoio nenhum. E esta é a compreensão mais profunda de todos os conhecedores: que o seu ser é um não-ser. Dizer-se que é um ser está errado, porque isso não é nada, não se parece com coisa alguma. Parece-se a coisa alguma: um vasto vazio, sem fronteiras. É apenas um anatma, um não-eu; não é um eu dentro de ti.
Todos os sentimentos do eu são falsos. Todas as identificações com "sou isto ou aquilo" são falsas.
Quando chegas ao Definitivo, quando chegas ao teu âmago mais profundo, sabes, subitamente, que não és isto, nem aquilo; que não és ninguém. Não és um ego; és apenas um vasto vazio. E, algumas vezes, se te sentares, fecha os olhos e procuras sentir o que és, para onde vais. Desce mais profundamente e poderás ter medo, porque quanto mais profundamente desceres, mais profundamente sentirás que és ninguém, que és um nada. Por isso é que as pessoas temem a meditação: ela é a morte, é a morte do ego; e o ego é apenas um falso conceito.
Agora os físicos chegaram a esta mesma verdade, através de sua pesquisa científica, aprofundando-se no terreno da matéria. O que Buda, Tilopa e Bodidarma encontraram mediante a visão interior, a Ciência tem estado a descobrir também no mundo exterior. Dizem, agora, que não há substância - e substância é um conceito paralelo do ego.
Uma pedra existe e sentes que ela é bem substancial. Podes atirá-la à cabeça de alguém e ela produzirá sangue; a pessoa atingida poderá até morrer. A pedra é muito substancial. Mas indaga dos físicos, e eles dirão que ela é não substância, que nada existe nela. Dirão que é apenas um fenômeno de energia. Muitas correntes de energia cruzando-se sobre aquela pedra dão uma sensação de substância, tal como tu, quando riscas muitas linhas cruzadas sobre um pedaço de papel: onde muitas linhas se cruzam, surge um ponto. O ponto não estava ali. Duas linhas se cruzam e o ponto surge; muitas linhas e se cruzam e um grande ponto surge. Aquele ponto está, realmente ali? Ou apenas as linhas, ao se cruzarem, é que dão a ilusão de que ali há um ponto?
Os físicos dizem que correntes de energia, cruzando-se, criam matéria. E, se perguntares o que são essas correntes de energia, dirão que não são materiais, que não têm peso, que são não materiais. Linhas não materiais cruzando-se dão a ilusão de coisa material, substancial, como a pedra.
Buda chegou a essa iluminação 2500 anos antes de Einstein. Dentro não existe ninguém; apenas as linhas de energia cruzando-se é que te proporcionam a sensação do eu. Buda costumava dizer que o eu é como uma cebola: tu a descascas, jogas fora a casca, mas uma outra surge. Se continuares descascando, camada por camada, o que permanecerá, afinal? A cebola será inteiramente descascada e nada encontrarás dentro dela.
O homem é tal como uma cebola. Descasca-se a camada de pensamentos, de sentimentos, e, finalmente, o que encontramos? Um nada.
Esse nada não precisa de apoio.
Esse nada existe por si mesmo.
Eis por que Buda disse que não existe Deus: Não há necessidade de Deus, porque Deus é um apoio. E diz que não há criador, porque não há necessidade de criar um nada. Este é um dos conceitos mais difíceis de entender - a não ser que o compreendas.

Por isso é que Tilopa diz: "Mahamudra está para além de todas as palavras e símbolos."
Mahamudra é uma experiência do nada - simplesmente, tu não és.
E, se não és, quem está aí para sofrer?
Quem está aí, em dor e angústia?
E, quem está aí para estar feliz e bem aventurado?
Buda diz que, se sentires que estás bem aventurado, tornarás a ser vítima do sofrimento, porque ainda estás ali. Quando não estiveres, então não haverá sofrimento, nem bem-aventurança; e essa será a verdadeira bem-aventurança. Então, não poderás recuar. Atingir o nada é atingir tudo.
Todo o meu esforço em relação a ti também é para conduzir-te ao nada, levar-te ao vácuo total.
"O vácuo não precisa de confiança,
Mahamudra repousa sobre nada.
Sem fazer esforço,
Mas permanecendo desprendido e natural,é possível quebrar o jugo,
ganhando assim, a libertação."
A primeira coisa a compreender é que o conceito do eu é criado pela mente - não há eu em ti.
Isto aconteceu de fato: Um grande budista, homem de esclarecimento, foi convidado pelo rei para ministrar-lhe ensino. O nome do monge budista era Nagasen; o rei era o vice-rei de Alexandre. Quando Alexandre retornou da Índia, deixou ali Minander como seu vice-rei. Seu nome hindu era Milinda. Milinda pediu a Nagasen que viesse ensinar-lhe. Estava realmente interessado e ouvira muitas histórias sobre Nagasen. Muitos rumores haviam chegado à corte: "É um fenômeno raro! Raramente acontece que um homem floresça, e aquele homem floresceu. Tem, ao derredor, um aroma de algo desconhecido, uma energia misteriosa. Caminha sobre a terra, mas não é da terra." O rei ficou interessado e o convidou.
Um mensageiro foi ter com Nagasen e voltou bastante perplexo, pois ele lhe havia dito: "Sim, se ele convida, Nagasen irá;mas diga-lhe que não há ninguém como Nagasen. se é convidado, irá, mas diga-lhe, exatamente, que não há ninguém que seja "eu sou". Eu já não sou."
O mensageiro ficou perplexo, porque, se Nagasen já não era, quem viria? Milinda também ficou perplexo e disse: "Esse homem fala por enigmas. Mas deixemos que venha." Milinda era grego, e a mente grega é basicamente lógica.
Há apenas duas mentes no mundo: A hindu e a grega. A hindu é ilógica e a grega é lógica. A hindu move-se nas profundidades das trevas, estranhas profundidades onde não há fronteiras, onde tudo é vago, enevoado. A mente grega caminha sobre a linha lógica, reta, onde tudo está definido e classificado. A mente grega move-se no conhecimento. A mente hindu move-se no desconhecido, e , ademais, no incognoscível. A mente grega é absolutamente racional, a mente hindu é absolutamente contraditória. Portanto, se encontrares demasiadas contradições em mim, não te aborreças - essa é a forma. Na contradição está a forma oriental de relatar.
Milinda disse: - "esse homem parece ser irracional, parece ter enlouquecido. Se ele não é, então como pode vir? mas deixemos que venha. Eu provarei, apenas pela sua vinda, que ele é."
Então, Nagasen veio. Milinda o recebeu ao portão e a primeira coisa que disse foi: - "estou perplexo por teres vindo, apesar de teres dito que já não és."
Nagasen respondeu: - "Ainda digo isso. Portanto, vamos resolver o caso aqui mesmo."
Um grupo reuniu-se, toda a corte apareceu ali e Nagasen disse: "Tu fazes as perguntas."
Milinda perguntou: - "Dize-me, antes de mais nada: Se algo não é, como pode vir? Se, em primeiro lugar, ele não é, então não há possibilidade para a sua vinda; mas tu vieste. É simples lógica a constatação de que tu és."
Nagasen riu e disse: - "Olha para este ratha" (o carro em que tinha vindo). Olha para ele. Tu o chamas de ratha, um carro puxado por cavalos." Milinda confirmou. Então Nagasen mandou que seus acompanhantes retirassem os cavalos. Uma vez desatrelados os animais, Nagasen perguntou: - "Os cavalos são o carro?"
Milinda disse: - "Claro que não!" Então aos poucos, tudo quanto havia no carro foi sendo retirado, parte por parte. As rodas foram removidas, e ele perguntou: "essas rodas são o carro?" Milinda disse: - "está certo que não!"
Quando tudo foi removido, nada mais restando, Nagasen indagou: - "Onde está o carro em que vim? Não removemos o carro, e tudo quanto foi removido não era, segundo foi confirmado, o carro. Assim, onde está o carro?"
E nagasen explicou: -"è exatamente assim que Nagasen existe. Remove as partes e ele desaparecerá." Apenas linhas cruzadas de energia: removam-se as linhas e o ponto desaparecerá. O carro era apenas uma combinação de partes.
Tu também és uma combinação de partes, o eu é uma combinação de partes. Remove coisas e o eu desaparecerá. Por isso é que, quando os pensamentos são removidos da percepção, não podes dizer eu, porque não há eu - apenas um vácuo é deixado. Quando os sentimentos são removidos, o eu desaparece completamente. Tu és, e contudo não és: És apenas uma ausência sem fronteiras, vacuidade.
Essa é a obtenção final; esse estado é Mahamudra, porque só nesse estado podes ter o orgasmo com o Todo. Quando não há mais fronteiras, não existe eu. Agora já não há fronteiras para ti.
O Todo não tem fronteiras. Tu deves tornar-te como o Todo - mas para isso deve haver um encontro, uma fusão. Quando estás vazio, estás sem fronteiras, e, subitamente, tornas-te o Todo.

Quando não és, tornas-te o Todo.
Quando és, tornas-te um feio ego.

 
Quando não és, tens toda a expansão da existência para que o teu ser seja.
Mas há contradições. Portanto, tenta compreender: Torna-te um pouco semelhante a Naropa, de outra forma estes símbolos nada levarão até ti. Ouve-me com confiança. E quando eu falo, ouve-me com confiança; se te digo que conheci isso, é assim como digo. Sou uma testemunha, dou um testemunho disso, isso é assim. Pode não ser possível dizê-lo, mas tal coisa não significa não significa que isso não seja. Podes dizer algo que não é, e podes ser incapaz de me compreender, se fores como Naropa, se me ouvires com confiança.
Não estou ensinando uma doutrina. De forma alguma ter-me-ia preocupado com Tilopa se essa também não fosse a minha própria experiência.


Tilopa disse isso muito bem:
"O vácuo não precisa de segurança,
Mahamudra repousa sobre nada.
Sobre nada Mahamudra repousa."

Mahamudra significa, literalmente, o grande gesto, ou o gesto definitivo; o último que podes ter e para além do qual nada é possível.
"Mahamudra repousa em nada.
Sê um nada e, então, tudo estará obtido.
Morre e te tornarás um Deus.
Desaparece e te tornarás o Todo.
Aqui a gota desaparece
e ali o oceano passa a existir."
Não te agarres a ti mesmo - isso é o que tens feito em todas as tuas vidas passadas: Agarrar-te, receoso de, se não te agarrares, ter de olhar para baixo e encontrar um abismo sem fundo.
Por isso é que nos agarramos a coisas insignificantes, triviais, e continuamos agarrados a elas. O agarrar-se mostra que também és consciente de um vasto vazio interior. Precisas de alguma coisa em que agarrar-te, mas isso é o teu samsara, a tua angústia. Deixa-te cair no abismo. E, uma vez que tenhas caído no abismo, tornar-te-ás o próprio abismo.
Então, não há morte, porque como pode um abismo morrer?
Então, não haverá fim, porque como pode o nada acabar?
Algo pode acabar, terá de acabar - mas só o nada pode ser eterno.
mahamudra repousa sobre o nada.
Deixa que te explique, através da experiência que tens. Quando amas uma pessoa, tens que tornar-te nada. Quando amas uma pessoa, tens que tornar-te um não - eu. Por isso é que o amor se torna tão difícil. É por isso que Jesus disse que Deus é igual a amor. Jesus sabia alguma coisa sobre Mahamudra, porque antes de iniciar seus ensinamentos em Jerusalém ele tinha estado na Índia. Também esteve no Tibete,onde encontrou pessoas como Tilopa e Naropa. Estagiou em mosteiros budistas e aprendeu o que é aquilo a que as pessoas chamam o nada. Então, tentou passar todo o seu conhecimento para a terminologia judaica. E foi aí que tudo se tornou confuso.
Não podes passar o entendimento budista para a terminologia judaica. É impossível porque a terminologia judaica depende de termos positivos e a terminologia budista depende de termos absolutamente niilistas: nada, vacuidade. Mas, aqui e ali, nas palavras de Jesus há vislumbres. Ele diz: "deus é amor" e está insinuando algo. O que?
Quando amas, tens que tornar-te um ninguém. Se permaneces alguém, o amor jamais acontece. Quando amas uma pessoa, mesmo por um só momento, quando o amor acontece e floresce entre duas pessoas, há dois nadas, não duas pessoas. Se já tiveste essa experiência de amor, poderás entender.
Dois amorosos, sentados lado a lado, um ao lado do outro, ou dois nadas sentados juntos: Só então o encontro é possível, porque as barreiras foram destruídas, as fronteiras postas de lado. A energia pode mover-se de cá para lá, não há obstáculos. E só em tais momentos é que um profundo orgasmo de amor é possível.
Quando dois amorosos estão fazendo amor, o orgasmo só acontece se forem, ambos, não-eus, nada. Então a energia de seus corpos, todo o seu ser, perde completamente a identidade. Eles já não são eles próprios, tombaram no abismo. Mas isso só dura por um momento. De novo voltam, de novo recomeça o apego. Por isso é que as pessoas também tem medo de amar.
No amor profundo, as pessoas temem enlouquecer, ou morrer, temem o que pode vir a acontecer. O abismo abre sua boca, toda a existência boceja e, subitamente, estás ali, podes tombar ali. As pessoas tornam-se medrosas do amor e, então, satisfazem-se com o sexo e chamam ao sexo "amor".
O amor não é sexo. O sexo pode acontecer no amor, pode ser parte dele, parte integral, mas o sexo, em si mesmo, não é amor - é um substituto. Tentais evitar o amor através do sexo. Dais a vós mesmos, a sensação de estar amando, mas não vos estais movendo em amor. O sexo é tal qual o conhecimento emprestado: dá a sensação de saber, sem saber, dá a sensação de amor e de estar amando, sem amar.
Amando não estais e o outro também não: Então, subitamente, os dois desaparecem. O mesmo acontece com Mahamudra. Mahamudra é o orgasmo total com a completa existência.
Por isso é que em Tantra - e Tilopa é um Mestre Tântrico - o coito profundo, o coito orgasmático entre dois amorosos é também chamado Mahamudra; e dois amorosos em profundo estado orgasmático estão representados nos templos tântricos, em livros tântricos. Essa figura tornou-se um símbolo do orgasmo final.
E esse é todo o método de Tilopa e todo o método do Tantra: "Sem fazer esforço"... porque, se fazes esforço, o ego se robustece. Se fazes esforço, estás ali.
Portanto, o amor não é um esforço, não podes fazer esforço para amar. Se fizeres esforço, não haverá amor. Tu fluis para ele, tu não fazes esforço, simplesmente consentes que ele aconteça; não fazes esforço. Não é uma ação, é uma contecimento: "Sem fazer esforço"... E o mesmo se dá com o final, com o total: tu não fazes esforço, simplesmente flutua nele...
Mas permanece desprendido e natural. essa é a forma, esse é o próprio terreno de Tantra.
O Ioga diz que se faça esforço, o Tantra diz que não se faça esforço. O Ioga é orientado para o ego - até que finalmente ele abandone a si mesmo - mas Tantra, desde o princípio, é orientado para o não-ego. O Ioga, ao final de sua prática, atinge tal significação, sentido e profundidade, que diz àquele que procura: "Agora, deixa cair o ego" - mas isto apenas no fim. Tantra diz isso desde o inicio - e Tantra leva à Meta Definitiva. O Ioga pode preparar para Tantra, isso é tudo, porque o ato final deve ser feito sem esforço, "desprendido e natural".
Que entende Tilopa por "desprendido e natural"? Não lutes consigo mesmo, desprende-te. Não tentes formar uma estrutura em torno do teu caráter, de tua moralidade. Não te disciplines demais, de outra forma tua própria disciplina se tornará dependência. Não cries uma prisão em torno de ti. Conserva-se desprendido, flutuando, move-te com a situação, responde à situação. Não te movas com um colete-caráter em torno de ti, não te movas numa atitude fixa. Permanece desprendido como água e não imóvel como o gelo. Permanece movendo-te e flutuando. Para onde a natureza te levar, vai. Não resistas, não tentes impor coisa alguma a ti mesmo, ao teu ser.
Toda a sociedade, entretanto, ensina-te a impor algo aos outros. Sê bom, sê moral, sê isto, sê aquilo. E Tantra está inteiramente para além da sociedade, da cultura, da civilização. Ele diz que, se fores demasiadamente culto, perderás tudo quanto é natural e, então, serás uma coisa mecânica, sem flutuar, sem fluir. Portanto, não forces uma estrutura em torno de ti - vive momento a momento, vive em vigilância. E isso já é profundo o bastante para ser entendido.
Por que razão as pessoas tentam criar uma estrutura em torno delas? Para não necessitarem da vigilância - porque, se não tiveres um caráter em torno de ti, precisarás estar muito, muito atensivo: cada momento terás de tomar uma decisão. E tu não tens decisões pré-derteminadas, não tens uma atitude. No entanto, tens de responder a uma situação: algo está ali e estás inteiramente despreparado para isso. Terás de ser muito, muito consciente.
Para evitar a vigilância as pessoas criaram um artifício, e o artifício é o caráter, Force-se uma pessoa a determinada forma de disciplina e, esteja ela ou não em vigilância, a disciplina por si só ocupar-se-á de tomar conta. Tome-se como hábito o dizer sempre a verdade, faça-se disso realmente um hábito, e já não será mais preciso ter preocupações. Alguém fará uma pergunta e, pela força do hábito, será preciso dizer a verdade. Mas, dita pela força do hábito, a verdade estará morta.
E a vida não é tão simples. A vida é um fenômeno muito complexo. Às vezes, uma mentira é necessária, como, às vezes, uma verdade pode ser perigosa - devemos estar atentos. Por exemplo, se através da nossa mentira a vida de alguém é salva, se através dela ninguém é prejudicado e a vida de alguém é salva, que faremos? Se tivermos a mente fixa na idéia de que devemos ser verdadeiros, mataremos então, uma vida.
Nada é mais valioso do que a vida, verdade alguma é mais valiosa do que a vida. E, às vezes, nossa verdade pode matar a vida de alguém. Que farias? Só para salvar teu velho padrão e hábito, teu próprio ego, o "sou um homem verdadeiro", sacrificarias uma vida - só para ser um homem verdadeiro, só por isso? Estarás completamente louco! Se uma vida pode ser salva, mesmo que as pessoas te achem um mentiroso, que mal há nisso? Por que dar tanta importância ao que as pessoas dizem a teu respeito?
É difícil! Não é assim tão fácil criar um padrão fixo porque a vida segue, movendo-se e modificando-se e, a cada momento, há uma nova situação para a qual é preciso dar resposta. Responde com inteira consciência, isso é tudo. E deixa que a decisão saia da própria situação, não pré-fabricada, não imposta. Não tenhas contigo uma mente inteiramente edificada; conserva-te desprendido e natural.
Assim é um homem realmente religioso. De outra forma, as pessoas tidas como religiosas estão mortas. Agem de acordo com seus hábitos, continuam agindo de acordo com seus hábitos - isto é condicionamento, não liberdade. E percepção exige liberdade.
Sê desprendido: Recorda-te desta palavra o mais profundamente possível. Deixa que ela penetre em ti: Sê desprendido, de forma que, a cada situação, possas fluir facilmente como a água. A água, quando despejada num copo, toma a forma desse copo. Ela não resiste, ela não diz: "Essa não é minha forma." Se a água for despejada num jarro, ou num cântaro, toma a forma deles. Não tem resistência; é desprendida.
Conserva-te desprendido como a água.
Algumas vezes terás de mover-te para o norte, às vezes para o sul. Terás constantemente de mudar de direção e, conforme a situação, terás de fluir. Mas, se souberes como fluir, isso bastará. O oceano não estará tão longe, se souberes como fluir.
Portanto, não cries um padrão. Toda sociedade tenta criar um padrão, e todas as religiões tentam criar um padrão. Só umas poucas pessoas, pessoas iluminadas, têm sido corajosas o bastante para dizer a verdade; e a verdade é esta: Sê desprendido e natural! Se fores desprendido, serás natural, é evidente.
Tilopa não diz: "Sê moral!" Mas diz: "Sê natural!" E essas são dimensões diametralmente opostas. Um homem moral nunca é natural, não pode sê-lo. Se se sentir encolerizado, não poderá demonstrá-lo porque a moralidade não o permite. Se sentir amor, não poderá amar porque a moralidade está presente. É sempre de acordo com a moralidade que ele age, e nunca de acordo com a sua natureza.
Eu, porém, te digo: Se te começares a mover de acordo com padrões morais, e não de acordo com a tua natureza, jamais alcançarás o estado de Mahamudra, porque esse é um estado natural, o mais alto grau do ser natural. Eu te digo: Se te sentes encolerizado, mostra-te encolerizado - mas a perfeita consciência deve ser retida. A cólera não deve sobrepor-se à tua percepção; isso é tudo.
Deixa que a cólera flua, deixa que ela aconteça, mas mantém-se inteiramente alerta para o que se passa. Permanece desprendido, natural, consciente, observando o que acontece. Aos poucos, verás que muitas dessas coisas simplesmente desapareceram, já não acontecem; e sem qualquer esforço de tua parte. Não tentaste suprimi-las e elas, no entanto, desapareceram.
Quando uma pessoa está consciente, a cólera, aos poucos, desaparece. Torna-se simplesmente estúpida - não má, lembra-te, porque má tem valor majorado. Ela torna-se, simplesmente, estúpida. Não será pelo fato de ela ser má que tu deixarás de permanecer tomado por ela, mas sim porque será uma tolice. Não um pecado, mas simplesmente uma estupidez. A avidez desaparece, ela é estúpida. O ciúme desaparece, ele é estúpido.
Lembra-se dessa avaliação. Na moralidade existe algo bom e algo mau. E em ser natural existe algo sensato e algo estúpido, não mau. Nada é mau, nem bom; só existem coisas sensatas e coisas estúpidas. E, se és tolo, prejudicas a ti próprio e aos demais. Se és sensato não prejudicas a ninguém - nem aos outros, nem a tua própria pessoa. 
Não existe pecado
não existe virtude
Sensatez é tudo.
Se a quiseres chamar virtude,
chama-a virtude.
E há a ignorância;
se a quiseres chamar pecado,
esse será o único pecado.
Assim, como transformar tua ignorância em sensatez? Essa é a única transformação que importa e não podes forçá-la: Acontecerá quando tiveres desprendido e natural.
"... permanecendo desprendido e natural, é possível quebrar o jugo, ganhando, assim, a libertação."

E, então, a pessoa se torna totalmente livre. É difícil, a princípio, porque os velhos hábitos constantemente ressurgirão, forçando-te a fazer algo: Gostarias de ficar encolerizado, mas o velho hábito simplesmente produzirá um sorriso em teu rosto. Há pessoas que apesar de sorrirem, podes estar certo, acham-se encolerizadas. Mesmo naquele sorriso mostraram sua cólera. Ocultam algo e um falso sorriso aflora em seus lábios. São esses os hipócritas.
Um hipócrita é um homem não natural: Se nele há cólera, ele sorri; se há ódio, demonstra amor; se há desejos assassinos, simula compaixão. Um hipócrita é um perfeito moralista, absolutamente artificial, flor de plástico, feia, que não se quer usar. Não uma flor de verdade, mas uma simulação.
Tantra é o caminho natural: Sê desprendido e natural. Será difícil, porque os velhos hábitos terão de ser rompidos. Será difícil porque tens e terás de viver em uma sociedade de hipócritas. Será difícil, porque em toda parte entrarás em conflito com os hipócritas - mas será preciso passar por isso. Será árduo, porque há muito empenho em ostentações falsas e artificiais. Poderás sentir-se completamente a sós, mas essa fase será passageira. Depressa outras virão, sentindo a tua autenticidade.
Recorda-te: Mesmo uma cólera autêntica é melhor que um sorriso falso, porque, pelo menos, é autêntica. E um homem que não pode sentir-se autenticamente encolerizado não pode, absolutamente, ser autêntico. Pelo menos ele é autêntico, verdadeiro para com o seu ser. Seja o que for que aconteça, poderás confiar nele, porque é verdadeiro.
E minha observação é esta: uma verdadeira cólera é bela e um falso sorriso é feio. Uma cólera verdadeira tem sua própria beleza, tal como o verdadeiro amor - porque a beleza está relacionada à Verdade. Não se relaciona ao ódio, nem ao amor. A beleza diz respeito ao verdadeiro. A Verdade é bela, seja qual for a forma que tome. Um homem verdadeiramente morto é mais belo do que um homem falsamente vivo, porque ao menos a qualidade básica de ser verdadeiro está presente nele.
A esposa de Mulla Nasrudin morreu. Os vizinhos reuniram-se, mas Mulla Nasrudin permanecia em pé, completamente tranqüilo, como se nada tivesse acontecido. Os vizinhos começaram a gritar, a chorar e disseram: -"Que estás tu fazendo aí, em pé, Nasrudin? Ela está morta!"
Nasrudin disse: - "Esperem! Ela era tão mentirosa que eu devo esperar pelo menos três dias para ver se é verdade ou não."
Mas recorda-te disto: A beleza é a da Verdade, da autenticidade. Torna-te mais autêntico, e florescerás. E, quanto mais autêntico te tornares, mais sentirás que muitas coisas se estão desprendendo por elas próprias. Tu não terás feito esforço algum para que isso acontecesse; tal coisa, tornar-te-ás mais e mais desprendido, mais e mais natural, autêntico. E diz Tilopa:
... é possível quebrar o jugo
ganhando assim, a liberdade.
A liberdade não está muito distante, está somente oculta atrás de ti. Desde que sejas autêntico a porta se abrirá; mas és tão mentiroso, simulador e hipócrita, tu és tão profundamente falso, que sentes que a liberdade está muitíssimo distante. E não é assim! Para um ser autêntico, a liberdade é apenas natural. Tão natural como qualquer outra coisa.
Como a água flui em direção ao oceano,
Como o vapor ergue-se em direção ao céu,
Como o sol é quente e a lua é fria,
Assim é a liberdade para um ser autêntico.
Não se trata de algo de que nos possamos gabar. Nada de que possamos falar a outros, contando que a ganhamos.
Quando perguntaram a Lin Chi: - "Que te aconteceu? As pessoas dizem que te tornas-te um iluminado" - ele encolheu os ombros e disse: - "O que aconteceu? Nada; eu corto madeira na floresta e levo água ao Ashran. Tiro água do poço e corto madeira, porque o inverno está se aproximando." - E sacudiu os ombros, num gesto muito significativo.
Estava dizendo - "nada aconteceu. Que tolice me estão perguntando! Cortar lenha na floresta e tirar água do poço é coisa natural. A vida é absolutamente natural." E Lin Chi dizia ainda: "Quando sinto sono, vou dormir, quando sinto fome, como. A vida tornou-se absolutamente natural."
Liberdade é seres perfeitamente natural. A liberdade não é algo de que nos gabemos, dizendo que atingimos algo muito grande. Nada é grande, nada é extraordinário. Tudo estará sendo apenas natural, se fores tu mesmo.
Põe de lado as tensões, põe de lado a hipocrisia, põe de lado tudo quanto cultivaste em torno do teu ser, e torna-te natural. De inicio será coisa muito árdua, mas só de inicio. Desde que o consigas, outros também começarão a sentir que algo te aconteceu, porque o ser autêntico possui muita força, muito magnetismo. As pessoas começarão a sentir que algo te aconteceu: "Este homem já não vive como se pertencesse ao nosso meio, ele se tornou totalmente diferente.” E não estarás perdido, porque apenas perdeste coisas artificiais.
Assim que o vácuo for criado, com o descarte das coisas artificiais, das simulações, das máscaras, então o ser natural começará a florescer. Ele precisa de espaço.
Esvazia-te, sê desprendido e natural. Deixa que isso se torne o princípio mais fundamental da tua vida.
Centro Metamorfose