sábado, 7 de setembro de 2013

O Gayatri mantra. Para compreender o significado.





O Gayatri mantra é, junto com o OM, o mantra mais conhecido e cantado na Índia.
Ele representa a essência do conhecimento védico e foi percebido e
depois ensinado pelo sábio Vishwamitra.
Certo dia, o rei Viswamitra estava caçando nas florestas do Himalaia e chegou nas proximidades do eremitério do sábio Vasishtha. As tropas do rei estavam cansadas e famintas.
Vasishtha saldou o rei e pediu a Kamadhenu, sua vaca que podia conceder todos os desejos, que provesse alimento para o rei e suas tropas.
Vishwamitra ficou impressionado com a vaca mágica e pensou que essa  vaca poderia das conta de todas as necessidades dele, de suas tropas e de seu reino.
Se aproximando de Vasishtha ele pediu a vaca como presente mas o sábio respondeu negativamente, dizendo que somente aqueles que eram realizados na verdade de Brahman poderiam ter a vaca.

Vishwamitra ficou muito ofendido e se enfureceu, ordenando que suas 
tropas tomassem a vaca a força.
Vasishtha então ordenou à vaca que produzisse milhares de guerreiros
celestiais, que deram uma lição nas tropas de Vishwamitra, as
espantando do eremitério.
Percebendo o que ocorreu, Vishwamitra realizou que toda a sua
opulência, armas e exércitos não valia de nada perto da realização
yogue de um Brahmarishi (título concedido aos mais altos sábios
realizados em Brahman, como Vasishtha). Vishwamitra resolveu ele
próprio se tornar um Brahmarishi, abandonando seu reino e adentrando as florestas do Himalaia para praticar meditação profunda em Brahman.

Por muitos anos ele praticou exercícios espirituais e meditação,
conseguindo grande poderes yogues.
Vendo o avanço de Vishwamitra, Indra, o deus celestial, se assustou e
temeu que Vishwamitra pudesse o suceder no comando dos céus. Assim, enviou uma bela ninfa para distrair a meditação de Vishwamitra.
O rei se viu vítima da paixão e se enamorou da ninfa, que engravidou
e deu a luz a uma linda menina. Quando se deu conta de que a luxúria
havia consumido todos os anos de esforço e meditação, Vishwamitra
renunciou sua esposa e filha e mais uma vez entrou em meditação
profunda.

Desta feita, Vishwamitra conseguiu poderes ainda maiores e Indra,
mais uma vez mandou uma ninfa, que tentou atrapalhar a meditação de
Vishwamitra. Tendo sucesso em sua empreitada a ninfa se aproximou do rei, que por sua vez se lembrou da experiência passada e ficou cheio de raiva contra a ninfa por ela ter quebrado sua meditação profunda.Vishwamitra, então, transformou a ninfa numa pedra.
Foi só então que Vishwamitra percebeu que a raiva e ira haviam consumido todos os anos de sua intensa prática espiritual.Mas com perseverança inquebrantável, Vishwamitra subiu mais alto no Himalaia e entrou mais uma vez em meditação profunda.

Durante esse período, um outro rei se aproximou do sábio Vasishtha e pediu a ele para realizar um grande sacrifício do fogo para que o ajudasse a atingir o paraíso com seu corpo carnal e com sua consciência atual, o que Vasishtha recusou prontamente.
Ofendido e revoltado o rei, chamado Trishunku, se aproximou de Vishwamitra.

Vishwamitra viu nesse encontro uma oportunidade de ser vingar de Vasishtha, mostrando seus poderes yogues.
Feito o sacrifício do fogo, Vishwamitra mandou o rei ao plano de Indra, com corpo e consciência terrena.
Sabendo ser impossível manter o rei no plano de Indra com o corpo e consciência terrena, Vishwamitra o trouxe de volta, mas enquanto descia das alturas celestiais o rei Trishnku chorou e orou para que Vishwamitra o salvasse.
Vishwamitra concedeu a salvação ao rei, criando um sistema estelar apenas para o rei. Ou seja, o seu poder era tão grande que ele criou umcéu/paraíso apenas para o rei.Mas ao fazer isso, Vishwamitra percebeu que todo o esforço de sua
meditação e exercícios espirituais intensos foram em vão.

Mais uma vez ele se viu decepcionado e vez o voto de não sair mais de
sua meditação profunda.
Quando Vishwamitra se deu por satisfeito com sua prática, Brahma em pessoa apareceu ante ele e disse que estava muito satisfeito com a intensidade da prática de Vishwamitra, concedendo-lhe o título de Maharishi (Grande Sábio). Entretanto, Brahma lhe avisou que para se tornar um Brahmarishi ele deveria ser abençoado pelo Sábio Vasishtha. Ao dizer isso, Brahma desapareceu.Mesmo atingido o estado de Maharishi, Vishwamitra se frustrou ao pensar que depois de tudo ainda teria que recorrer ao sábio Vasishtha para ser abençoado.

Com ciúme da posição de Vasishtha ele pensou que se o matasse ele não
precisaria das bênçãos para se tornar um brahmarishi. Espreitando a casa de Vasishtha ele pegou uma grande pedra para atirar na cabeça de Vasishtha.
Mas quando estava próximo ele escutou a esposa de Vasishtha, Arundhati, dizendo que já que Vishwamitra havia se tornado um grande homem, ele deveria abençoá-lo e assim elevá-lo ao estado de Brahmarishi. Vasishtha concordou e disse que assim que Vishwamitra o procurasse ele concederia sua benção.

Ao ouvir isso, Vishwamitra se sentiu profundamente envergonhado, lançou a pedra longe e correu para se curvar diante do grande sábio.
Assim, Vasishtha disse a Vishwamitra: "Você mostrou ao mundo que o espírito humano é invencível e não aceita derrota. Você conquistou a
luxúria, os desejos, o apego e arrogância, um por um, através de suas
intensas práticas espirituais e meditação. A última barreira era o ciúme. Agora você o conquistou também. Salve Brahmarishi Vishwamitra! "
Assim que Vasishtha tocou o ponto entre as sobrancelhas de Vishwamitra, seu chakra frontal se expandiu e ele viu os sete ritmos pelos quais o Cosmo foi criado.

Nesse exato momento, o Gayatri Mantra junto com os sete Vyahritis
(lit. ritmos, mas são os sete planos de manifestação consciencial) foi revelado a ele.
Vishwamitra tem como tradução possível "amigo (mitra) do Universo
(vishwa)".


                                                          Saraswati

TEXTO RETIRADO DO BLOG: http://www.anjodeluz.com.br/gayatri2.htm e parte do site da Humaniversity.

Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que 
representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protetora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência. No entanto, esotericamente ela representa o potencial de expressão da mente humana.

A palavra Gayatri é composta de duas palavras:
Gaya= Florescer, abundar, energizar (vitalizar), energia vital.
Trâyate =o que protege; o que concede a liberação.

Vamos estudar esse mantra, que junto com o OM é o mais importante das tradições hinduístas.






A estrutura do mantra é de 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas.Cada sílaba estimula os impulsos de criação dentro do Ser.
Assim, por mais que numa análise superficial o entendimento do mantra
fique de certa forma bem claro, é importante dizer que a tradução pura e simples do mantra abrange apenas a superfície de sua real significância.

Que fique bem claro que o mantra não se trata apenas de uma oração ou
um pedido solene.
Essa métrica de 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas, é específica do Gayatri e por isso outros mantras que contém essa estrutura são chamados de gayatri também. Temos o gayatri do Ganesha, ou da Lakshmi, por exemplo.

O mantra aparece no Rig Veda da seguinte maneira:

TAT SAVITUR VARENYAM
BHARGO DEVASYA DHEEMAH
DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT


Notem que não há a adição dos Vyahritis (Bhuh, Bhuvah, Swaha[svah]) ,
pois a métrica do Gayatri deve respeitar as 24 sílabas no total.
Mais adiante falaremos sobre os Vyahritis.

Voltemos à métrica do Gayatri:
Como já foi dito, cada sílaba gera impulsos de criação em todo o Ser.
Vamos as 24 sílabas e seu significado esotérico:

1)Tat: Sabedoria Profunda (Brahma Jñana)
2)Sa: Bom uso da energia
3)Vi: Bom uso da riqueza
4)Tu: Coragem durante períodos ruins / acidentes
5)Va:A grandiosidade do convívio amigável com as mulheres
6)Re:A grandiosidade da esposa, que concede toda a fortuna à família
7)Nyam: Adoração e respeito à Natureza
8)Bhar: Controle Mental constante e firme
9)Go: Cooperação e Paciência
10)De: Todos os sentidos sob controle
11)Va: Vida Pura
12)Sya: Unidade do homem com Deus
13)Dhee: Sucesso em todas as esferas
14)Ma: Justiça Divina e Disciplina
15)Hi: Conhecimento
16)Dhi: Vida e morte
17)Yo: Seguir o caminho da retidão
18)Yo: Manutenção da Vida
19)Nah: Cautela e Segurança
20)Pra: Conhecimento das coisas que estão por vir e Doação para o bem
21)Cho: Leitura das escrituras sagradas e Associação com os sábios
22)Da: Auto Realização e Bem Aventurança
23)Ya: Boa Progênie
24)At: Disciplinas da vida e cooperação

Assim, volto a afirmar que o mantra não é uma simples oração ou ode a
uma deidade específica, mas sim todo um conjunto de conhecimentos
profundos e sutis.


Não é a toa que o gayatri mantra é considerado a essência dos vedas.




Mas para não ser muito analítico e para dar uma utilidade mais
prática ao mantra, vou me ater a explicar o mantra em suas três
linhas com oito sílabas cada. Mas nem por isso o estudo será
superficial, como poderão comprovar.



De maneira geral, o Gayatri Mantra é cantado ou pensado da seguinte
maneira:

OM
BHUR BHUVAH SVAH
TAT SAVITUR VARENYAM
BHARGO DEVASYA DHEEMAH
DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT


Vamos a uma tradução aproximada:

OM: de forma simplista podemos dizer que ele é o som primordial, a
fonte de toda a criação. Um dos outros nomes pelo qual é conhecido é
PRANAVA ou "substrato da vida, princípio vital".
O OM é a base de onde toda a criação tem existência. Ele é o
substrato de todo o Conhecimento, é o "pano de fundo" onde o potencial criativo se manifesta.
Não podemos aprofundar o assunto aqui, mas o OM é produto da Shakti,
ou Poder Criativo da Consciência [Brahman].
Somente a explicação desse mantra daria um livro, mas para o nosso
estudo a definição acima basta.

BHUR BHUVAH SVAH: são 3 das 7 Vyahritis (lit. "palavras, dizeres")
percebidas pelo sábio Vishwamitra. Representam 3 dos 7 planos de
manifestação da Consciência.

As vyahritis mais o OM são usadas como uma introdução ao mantra.

BHUR é tradicionalmente associada ao plano físico. Esotericamente é
a "espiritosfera" (neologia usada para descrever a amplitude
da "atmosfera espiritual" pertinente ao planeta, corpo celeste ou
parte/ambiente sideral) do planeta Terra.

BHUVAH é lit. "atmosfera". Esotericamente é a espiritosfera
imediatamente superior à nossa. Segundo a tradição seria o espaço
entre o Sol e a Terra e entre a Terra e os outros planetas. Para o
pensamento hindu, todos os planetas são habitados e ao mesmo tempo
são consciências distintas, sendo Júpiter o mais avançado
(espiritualmente) de todos (em nosso sistema solar).
Lê-se "buvarrá". Em alguns casos, onde o `h' final não é
pronunciado, é "buvá".

SVAH: é o Paraíso, o plano mais alto em nosso sistema. Esotericamente é associado ao Sol, que segundo os sábios é o "limite da onisciência" (Ishwara) de nosso sistema. É ele o portador de todos os referenciais de conhecimento que possuímos. Para um aprofundamento recomendo ler com atenção o Yoga Sutras de Patanjali. Infelizmente não poderemos aprofundar esse tema aqui, pois ele é extenso e tem correlação com a manifestação consciencial desde Brahman até o mundo físico.Lê-se "suvarrá". Em alguns casos pode ser lido como "isvárra".

As vyahrits são interpretadas de várias maneiras, dependendo do ponto de vista filosófico.

Elas também podem ser interpretadas da seguinte maneira:
Bhur: Rig Veda
Bhuva: Sama Veda
Svah: Yajur Veda

Ou ainda como sendo relacionados aos cinco pranas que fluem no corpo
humano:
Bhur: Prana (região peitoral)
Bhuva: Apana (região sacra)
Svah: Vyana (permeando o corpo todo)

Essa abordagem é bem fundamentada nas disciplinas Tântricas do Hatha-Yoga e do Kriya Yoga.
É outra abordagem que requer uma explicação mais detalhada, mas infelizmente não é possível nesse momento, visto que todo o
conhecimento de bioenergia fundamentada no Kundalini Yoga, Laya Yoga,
enfim, no Tantra teria que ser explicado.

As outras 4 Vyahrits são: Mahaha, Janah, Tapah, Satyam.

TAT: Lit. Aquele, aquela (aqui refere-se à Savitri). Lê-se "Tat" (com
t mudo).

SAVITUR: De Savitri, o esplendor do Sol, o brilho solar, os raios
solares, a força solar. Em muitos casos Savitri é associado ao deus
do Sol (Surya). Ela seria a shakti (poder) de Surya.
De forma esotérica representa o Criador, Sustentador, o todo
penetrante.

VARENYAM: Desejável, excelente, o melhor entre

BHARGO: efulgência, esplendor, luminosidade (que destrói os pecados), brilho, glória.

DEVASYA: Divino, relativo à divindade. Lê-se "devássia".

DHEEMAH: Meditar sobre; relativo à meditação. Lê-se "dimarri".

DHIYO: pensamentos elevados ou nobres, intuição profunda, iluminar
(revelar a Realidade Última). Lê-se com o i duplo, "diio".

YO: o que, o qual.

NAH: nosso, de nós, unir, junto, nó. Lê-se "narrá", com o "á" curto, como em água.

PRACHODAYAT: de prach (pedir, demandar) + codate[chodayate] (animar,
inspirar, colocar em movimento), portanto a tradução seria algo como
possa inspirar, possa animar. Lê-se "prachodaiáte" .

Uma tradução aproximada do mantra seria "Eu Saúdo aquele Ser, possuidor da efulgência divina e que é a causa e sustentação de todos os planos da existência.Que minha mente esteja sempre fixa e absorvida Nele e que Ele possa iluminar, purificar e inspirar meu intelecto." 

O Mantra está todo relacionado ao aspecto iluminador e todo abrangente de Brahman.Em verdade, o mantra nos mostra a natureza essencial de toda a existência.

Gayatri é uma das formas da Shakti de Brahma, de Vishnu e Shiva.Ela representa a base, o substrato de toda a existência. Ela é a "expansão" do OM ou a energia que o movimenta.

Num estudo mais aprofundado o mantra se revela como sendo a representação do Sol Espiritual ou a Luz da Consciência.Sem essa Luz, o próprio Brahma (criador na trindade hindu) perderia seu sentido de ser. Sem essa Luz não haveria o que ser sustentado ou preservado.
Ela seria a ponte ou a ligação inquebrantável de Brahman com tudo. Seria a Presença invisível e subjacente a tudo.

O Mantra foi ensinado ao avatar Rama por Vishwamitra durante a
batalha contra o demônio Ravana, onde todas as possibilidades de
vitória de Rama diminuíram consideravelmente.Com o uso do mantra Rama teve o controle de todas as armas divinas e assim conseguiu derrotar o demônio.

Assim, o mantra tem sua aplicação no sentido de manifestação, de realizar o potencial de "vir a ser".É energia pura.

Segundo os Vedas, "O Gayatri protege quem o recita".
Ele deve ser cantado todos os dias, de preferência de Manhã, de Tarde
e de Noite.

Ele pode ser dividido em três partes para maior entendimento.
A primeira parte é de louvor, a segunda de meditação e a terceira de
prece.Primeiro saudamos a Realidade Suprema, depois fixamos a mente e
coração Nela e por último apelamos para a purificação e iluminação.





O iluminado Krishna diz no Bhagavad Gita: 

     “Entre todos os sons e versos sagrados, eu sou o Gayatri”.
     
Significado

     Bhúr, bhuva e swáhá são os três planos da existência. Na teoria védica das equivalências (bandhu), essa divisão tripartida do universo tem muitos níveis de significados. Refere-se aos três mundos: o infinitamente grande, o humano e o infinitamente pequeno; aos três gunas, ou às três qualidades da natureza: inércia, ação e equilíbrio (tamas, rajas e sattwa); ou ainda ao paralelo que existe entre as estruturas da consciência e da natureza. Ou seja, assim como é em cima, é também embaixo, o macrocosmo reflete o microcosmo. Savitur, o Sol, é o símbolo da consciência e ao mesmo tempo da kundalini. Faz-se o Gayatri Mantra para celebrar a existência e harmonizar-nos com o poder de transformação presente na natureza. Este mantra é um convite à contemplação da força que move o macrocosmo, o microcosmo e o homem.
     Em uma viagem de peregrinação à Índia, tive acesso a este quadro, que será utilíssimo aos já iniciados nos mistérios e nas práticas mântricas.

Mantra (sílaba)
Cor
(das sílabas)
Shakti (deusa
do mantra)
Princípio cósmico (micro/macrocosmo)
Tat
Amarelo
Prahlãdini
Terra
Sa
Rosa
Pradhã
Água
Vi
Vermelho
Nityã
Fogo
Tuh
Azul
Visvabhadra
Ar
Va
Transparente
Vilãsini
Éter
Re
Branco
Prabhãvati
Olfato
Ni
Branco
Jayã
Paladar
Yam
Branco
Sãntã
Visão
Bha
Preto
Kãntã
Toque
Rgo
Vermelho
Durgã
Som
De
Lótus-vermelho
Saraswati
Fala
Va
Branco
Visvamãyã
Mãos
Sya
Dourado/ amarelo
Visãlesa
Genitália
Dhi
Branco
Vyãpini
Ânus
Ma
Rosa
Vimalã
Pés
Hi
Concha branca
Tamopahãrini
Orelhas
Dhi
Creme
Suksma
Boca
Yo
Vermelho
Visvayoni
Olhos
Yo
Vermelho
Jayãvahã
Língua
Nah
Cor-de- nascer-do-sol
Padmãlayã
Nariz
Pra
Lótus-azul
Parã
Mente
Cho
Amarelo
Sobhã
Ego/senso
Da
Branco
Bhadrarupã
Princípio criador
Yat
Branco, vermelho, preto
Trimurti
Três qualidades da natureza: Ação, inércia e equilíbrio

     Uma prática adiantada de meditação é a união do mantra com o yantra do Gayatri.



     Yantra é um símbolo ou mandala que representa algo, no caso, o Gayatri Yantra refere-se à iluminação.
     Para praticar o Gayatri, sente-se com a coluna ereta e com o yantra colocado à altura de seu rosto, iluminado pela chama de uma vela. Visualize o centro do símbolo, evitando piscar enquanto mentaliza ou vocaliza esse mantra mantra.

     Os efeitos dessa prática se fazem sentir principalmente à noite.

     Kalu Rinpoche, em seu livro The Dharma, diz: “Recitamos e meditamos sobre o mantra, que é o som iluminado, a fala da divindade, a união do som com a vacuidade. (...)Ele não possui uma realidade intrínseca, é simplesmente a manifestação do som puro, experienciado simultaneamente com sua vacuidade. Através do mantra, não nos apegamos mais à realidade da fala e do som encontrados no cotidiano, mas os experienciamos como sendo vazios. Então, a confusão do aspecto da fala de nosso ser é transformada na consciência iluminada”.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Peter Singer, um dos mais importantes e controversos filósofos vivos.

" Nós costumamos dar muita ênfase ao ato de matar alguém, mas fazemos muito pouco para ajudar as pessoas em situação de pobreza extrema, para impedir a morte de crianças em países pobres por subnutrição ou doenças. Isso mostra que estamos errando no modo como pensamos sobre as consequências de nossas ações. Porque, nos dois casos, o resultado é o mesmo: alguém morre. "

"A filosofia é hoje mais importante do que jamais foi", afirma Peter Singer

Em entrevista ao site de VEJA, o filósofo Peter Singer afirma que os avanços da ciência irão tornar as discussões éticas cada vez mais fundamentais, e explica suas ideias sobre vegetarianismo, pobreza extrema e eutanásia

Guilherme Rosa
Filósofo Peter Singer
Peter Singer já foi considerado um dos mais importantes e controversos filósofos vivos. Sua ideias chegaram a ser comparadas ao nazismo e o levaram a ser chamado de o homem mais perigoso da Terra. Em 2004, no entanto, ele foi eleito o Humanista do Ano pelo Conselho de Sociedades Humanistas Australiano (Joel Travis Sage)
O australiano Peter Singer é uma figura rara: um filósofo que atrai a atenção de multidões. Seu livro Libertação animal (Ed. WMF Martins Fontes), de 1975, foi um dos responsáveis por dar início aos movimentos modernos de defesa dos animais, influenciando um enorme número de ativistas do vegetarianismo ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, suas ideias sobre a eutanásia também movem um grande público, mas na forma de acalorados protestos realizados em suas palestras. Os atos costumam ser organizados por grupos de defesa dos portadores de deficiência física, que encontram em seus escritos ecos da eugenia nazista.
Professor de bioética na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, Singer analisa questões éticas — como aborto, assassinato, desigualdade e direitos dos animais —, partindo do ponto de vista de que todo ser vivo capaz de sofrer e sentir dor deve ter seus interesses considerados. Isso leva o filósofo a afirmar que o consumo de carne e a maior parte das experiências científicas com animais são moralmente errados. Nos últimos anos, Singer tem se envolvido com uma série de organizações de caridade, a fim de ajudar populações pobres ao redor do planeta. Mas também é esse raciocínio que, levado ao extremo, faz Singer chegar a conclusões chocantes, como afirmar que a vida de um cachorro tem o mesmo valor moral que a de um humano recém-nascido.
Peter Singer esteve no Brasil para participar da série de palestras Fronteiras do Pensamento. Em entrevista ao site de VEJA,  afirmou que os avanços científicos fazem com que as questões éticas se tornem cada vez mais importantes e comentou avanços recentes como a carne feita em laboratório, as descobertas sobre a consciência dos animais e o desenvolvimento de inteligência artificial:
Seus argumentos costumam despertar reações apaixonadas — para o bem ou para o mal. Pessoas que não gostam do que o senhor diz já o chamaram de Dr. Morte, nazista e até de o homem mais perigoso do mundo. Ao contrário, pessoas que gostam de suas colocações já o chamaram de o homem mais ético do planeta. Por que seu trabalho costuma ter esse tipo de resposta extremada? Penso que é porque meu campo de estudo é a ética, e as pessoas têm visões muito diferentes quanto a esse tema. Particularmente, eu sigo a lógica de meus argumentos até o fim, mesmo que as conclusões entrem em confronto com o que diz o senso comum. Uma das coisas de que me chamam é de controverso — e isso é verdade. Isso acontece porque eu afirmo que a visão moral comum está, normalmente, errada. As pessoas não parecem ter realmente pensado no assunto, feito as perguntas éticas fundamentais.
Mas o senhor acha que essas reações surgem simplesmente por causa das discussões éticas gerais ou porque o senhor tem posições firmes em temas como aborto, eutanásia e direitos dos animais?  É claro que eu podia discutir a ética no nível das generalidades, nunca atingindo esses temas mais difíceis. Aí, eu não seria controverso. A maioria das pessoas não teria nenhum interesse no que digo, talvez nem me entendessem — exceto outros filósofos. Quando estudamos a ética prática não podemos evitar esses tópicos. Não é possível evitar perguntas sobre vida e morte. Você inevitavelmente terá de questionar: por que matar um ser vivo é errado? É pior matar um ser do que outro? Por exemplo, eu até poderia não ter estudado a ética da nossa alimentação a base de carne, mas isso me pareceria muito estranho, porque eu estudo justamente a ética prática — e comer é algo que fazemos todos os dias.
Por que é importante discutir questões éticas? A pergunta responde a si mesma. Discutir por que alguma coisa é importante já é, em si, uma pergunta ética. Você não pode dizer se alguma coisa é importante se não tiver alguma ideia de valores morais. Se você pensar que o ato de prevenir a morte de um milhão de pessoas de fome é mais importante do que o ato de coçar o seu pé, isso já é um valor ético. A partir daí, você já pode começar a se fazer perguntas éticas: por que tenho esses valores? Será que não existem outros valores melhores? A ética é importante porque, quando pensamos no que devemos fazer e como queremos viver, já estamos fazendo ética. Isso é inevitável. A pergunta importante não é se estamos fazendo ou não ética, mas se estamos fazendo isso do modo certo ou errado.
Quais seriam as questões éticas mais importantes de nosso tempo? Sem dúvida nenhuma, a pobreza global é um dos grandes problemas sobre os quais devemos nos deter. Também penso nas mudanças climáticas — um dos grandes desafios morais que teremos de enfrentar nos próximos dez ou vinte anos. É claro, também tenho que citar o tratamento que damos aos animais, um tema que discuti durante toda minha carreira, mas que ainda é muito importante. Há outros temas que eu devo mencionar, como o risco de extinção da espécie humana — que deveria ser reduzido ao máximo — e a seleção genética, que nos dá a possibilidade de melhorar geneticamente nossa espécie. São questões que estão sendo trazidas à tona neste século, com os avanços científicos.
Então o desenvolvimento da ciência não ameaça tornar a filosofia obsoleta? A filosofia é hoje mais importante do que jamais foi. E os cientistas que pensam que a filosofia não importa certamente não têm um grande entendimento do que é a filosofia. Eles costumam pensar que é possível chegar, de modo científico, aos juízos de valores. Mas não dá para fazer isso a partir de descrições do mundo — que é o que a ciência faz. A descrição do mundo e os nossos valores são duas coisas diferentes. Quando estamos pensando em valores, estamos fazendo filosofia.
O senhor escreveu sobre muitos temas em sua carreira, mas se tornou particularmente conhecido por causa de sua defesa dos animais. Por que esse campo de estudos se tornou mais conhecido que todos os outros? Esse é o campo da filosofia em que eu fui um pioneiro. Eu escrevi a primeira discussão filosófica moderna sobre a ética de tratamento aos animais, e a conclusão foi que deveríamos fazer o contrário do que fazemos hoje em dia. Desde então, surgiram muitos outros filósofos que contribuíram para esse campo, mas meu livro Libertação Animal é visto como o texto fundador desse movimento.
Por que alguém deveria se preocupar eticamente com um animal? Afinal, os animais não se preocupam eticamente com os seres humanos. Realmente, eles não se preocupam. Mas bebês e crianças pequenas também não têm preocupações éticas — e todos concordariam que devemos nos preocupar com eles eticamente. Se alguém quisesse causar dor numa criança por diversão, iríamos pensar que é errado, mesmo que a criança ainda não seja capaz de pensar eticamente sobre as outras pessoas. Acho que o mesmo vale para os animais. Eles são capazes de sofrer, sua vida pode ser boa ou má. E mesmo assim nós usamos bilhões deles para motivos fúteis, sem levar em conta seus interesses. Se há sofrimento acontecendo — que nós estamos causando — estamos diante de uma questão ética importante.
Mas como saber quais seres vivos importam eticamente? O senhor defende os direitos das plantas, dos insetos e das bactérias? Os seres com que devemos nos importar são aqueles que podem sofrer ou apreciar a vida, que podem experimentar dor ou prazer, que têm experiências conscientes. Isso certamente não inclui as árvores, e também duvido que inclua os insetos. Mas certamente inclui os vertebrados e provavelmente alguns invertebrados, como o polvo — que estudos apontam como um ser consciente.
Mas o que faria essa diferença? A presença de um sistema nervoso? É por causa disso que falei sobre os vertebrados: seu sistema nervoso é mais parecido com o nosso, tem uma organização central. Mas não acho que essa deve ser a única identificação. O comportamento do polvo, por exemplo, é tão complexo que nos leva a ver indícios de consciência. Se ela evoluiu no polvo, parece que foi por um caminho evolutivo diferente, que não depende de um sistema nervoso como o nosso. Eu não sei dizer onde exatamente as fronteiras estão. O que eu posso dizer é que devemos ter uma mente aberta, e se tivermos evidência de que algum tipo de ser é consciente, o que fazemos com ele passa a ter significância moral.
Mas o senhor não acha que a vida humana tem mais valor que a de um peixe, por exemplo? Acho que existe uma diferença entre seres autoconscientes e seres que apenas têm consciência, e essa diferença é relevante quanto ao erro de matar esse ser. É mais sério matar um ser autoconsciente, que recorda o seu passado e se projeta no futuro, mas não acho que o sofrimento desse ser tenha valor maior do que o de um que apenas é consciente. Não defendo que tudo que aconteça contra um ser autoconsciente seja mais importante — apenas o assassinato. Veja bem, o princípio moral básico para mim é o da igual consideração de interesses, levar na mesma conta todos os interesses envolvidos em determinada ação. Assim, se eu e um cachorro sentimos a mesma quantidade de dor, nosso interesse em não sentir dor é similar. Mas se eu for autoconsciente, eu tenho um interesse maior em continuar vivendo. Eu posso fazer planos, posso buscar objetivos. Assim, eu tenho mais a perder com a minha morte do que um animal que vive apenas no presente, cujos interesses são, basicamente, encontrar abrigo, comida, segurança.
"Os frangos são mantidos em lugares apertados e tão lotados que não conseguem se movimentar, abrir suas asas. Eles passam a vida inteira estressados", diz Singer
Então seria correto matar e comer um frango, que parece não ter autoconsciência, se não causarmos nenhuma dor? Se ele tiver tido uma boa vida, não vejo problemas. O problema não é só matar os animais. Nós não podemos apoiar os tipos de fazendas de criação que existem hoje em dia. Os frangos, por exemplo, são mantidos em lugares apertados e tão lotados que não conseguem se movimentar, abrir suas asas. Eles passam a vida inteira estressados. Mas se ele tiver vivido uma boa vida, e se sua morte for instantânea, sem nenhuma dor — e se assumirmos que os frangos realmente não são seres autoconscientes – eu não tenho uma grande objeção contra comê-lo. Eu sou vegetariano há mais de 30 anos, não tenho nenhum desejo de comer frango, mas se alguém fizer isso nessas condições, acho que não teria nenhum argumento contra.

O senhor não acha que são muitas condições? Sem dúvida, são muitas condições. Elas são muito diferentes do modo como os frangos são produzidos hoje em dia e tornam muito difícil produzi-los de modo comercial.
Mas a carne não tem um valor nutritivo importante? Seria errado comer carne para melhorar a nutrição de uma criança necessitada? Acho que isso faz muita diferença. Quando falo sobre vegetarianismo, eu falo para as pessoas que vivem em grandes cidades, como São Paulo, onde podemos andar até um supermercado e comprar muitas alternativas saudáveis aos produtos animais. Mas se você estiver em um país pobre, e tiver dificuldades em conseguir uma dieta saudável para a sua família, eu não diria que é errado você comer um frango.
No começo de agosto, pesquisadores anunciaram a criação do primeiro hambúrguer feito em laboratório a partir de células-tronco de gado. O senhor comeria essa carne artificial? Eu ficaria muito feliz em comer o hambúrguer artificial, porque nenhum animal teria sofrido para ele chegar à minha mesa. Eu não me importo nem um pouco com o fato de ele ser feito a partir de células tronco. Minha preocupação moral não é com células, mas com seres conscientes. Além disso, o hambúrguer é muito melhor para o meio ambiente do que a carne vinda dos animais. Infelizmente, por enquanto, ele é apenas uma prova do conceito, mas espero que algum dia ele se torne comercialmente viável.
Então o senhor estaria disposto a colocar a carne de volta em sua dieta? Eu não sinto nenhuma falta de comer carne. Eu experimentaria o hambúrguer para ver qual o gosto — porque eu estou curioso. Se gostasse, poderia até experimentar mais regulamente, mas no momento não sinto nenhuma necessidade de comer carne.
Recentemente, o chef brasileiro Alex Atala participou de um encontro na Europa, onde matou e cozinhou uma galinha no palco, em frente à plateia. Parte do publico reagiu com revolta à morte da ave. Como o senhor vê essa reação? É uma completa hipocrisia. Muito provavelmente, as pessoas que reagiram assim não são vegetarianas. O que eles estão dizendo é que querem que alguém mate o frango, mas não lhes mostre a ação. Sabe o que isso me lembra? Eu não gosto de traçar paralelos entre o que fazemos com os animais e o holocausto – acho que existem diferenças muito importantes – mas isso me lembra dos alemães que, durante o nazismo, preferiam não ficar sabendo o que era feito com os judeus. A atitude é semelhante.

Saiba mais

UTILITARISMO
Tradição filosófica inaugurada pelo inglês Jeremy Bentham no final do século XVIII. Um dos pilares dessa tradição é a ideia de que o ato moralmente justo é  aquele que resulta em um acréscimo da felicidade geral, e na diminuição da dor. Peter Singer segue uma versão mais moderna dessa escola de pensamento, conhecida como utilitarismo preferencial. Nesse caso, o ato moralmente justo seria aquele que leva em conta a preferência de todos os seres vivos envolvidos, satisfazer a maior parte deles.
Essa lógica de levar em conta todos os interesses envolvidos em uma ação e decidir quais deles são mais importantes não faz o raciocínio moral se parecer com um cálculo matemático? Bom, eu sou um utilitarista. E o utilitarismo, sem dúvida, leva números em conta. Mas acho que seria uma loucura não levar. Se eu tivesse que escolher entre salvar a vida de mil pessoas ou salvar a vida de apenas uma, ignorar esses números seria errado. Mas o utilitarismo não é apenas matemático. Ele traz questões sobre moral e valores, leva em conta tanto a empatia quanto a razão matemática. E acho que, com o passar dos anos, o modo utilitarista de pensar se tornará mais importante.
Por que o senhor diz isso? Conforme a sociedade vai se tornando mais secular, as pessoas passam a não aceitar mais de modo tão imediato os ensinamentos religiosos e começam a pensar por si mesmas. A moral religiosa tende a ser focada em regras simples, como os Dez Mandamentos, porque esse era o modo mais simples de ensinar bom comportamento há milhares de anos. Hoje, podemos deixar essa regras simples para trás. Precisamos pensar de modo mais profundo sobre as questões éticas fundamentais.
Essa lógica utilitarista não justificaria as pesquisas científicas com animais? Afinal, elas podem salvar muitas vidas. De fato, algumas pesquisas se justificam por essa lógica. Essa é uma das questões mais difíceis no campo do bem-estar animal. Nós devemos examinar cada experimento em particular para ver se ele tem essa justificativa. E eu acho que muitos — provavelmente a maioria — não têm. Muitos deles são baseados na ideia de que o sofrimento dos animais não deve ser levado em conta, o realmente importante seria o avanço no conhecimento — o que não é verdade. Mas existem alguns casos nos quais os cientistas dão o mesmo valor ao sofrimento dos animais que dariam ao sofrimento humano, e chegam à conclusão de que os benefícios da pesquisa seriam tão grandes que ela se justifica. Como um utilitarista, eu tenho que admitir que isso é possível.
Singer diz que a maior parte das pesquisas científicas feitas com animais não leva em conta seu bem-estar. No entanto, ele reconhece que algumas pesquisas desse tipo podem ser justificadas, se ajudarem a salvar vidas.
No livro Ética Prática, o senhor diz que os cientistas que estivessem dispostos a realizar experimentos com animais deveriam também estar dispostos a realizar os mesmo estudos em bebês com doenças mentais severas. Esse, na verdade, é um modo de desafiar a percepção comum dos cientistas, um modo de fazê-los pensar se não estão achando que o sofrimento dos animais é menos importante que o dos homens. Se eu falasse que os cientistas deveriam estar dispostos a fazer suas pesquisas com seres humanos normais, eles poderiam argumentar que essas pessoas sofreriam mais durante as experiências, pois saberiam o que vai lhes acontecer, lembram de seu passado e pensam no futuro, podem ficar traumatizadas e, se morrerem, estaremos matando um ser autoconsciente. Mas se imaginamos um ser humano que esteja no mesmo nível mental que um animal, isso ilumina os fatores para analisarmos essa questão. Uma pesquisa científica estará justificada se o cientista realmente der o mesmo peso aos interesses dos animais que dá aos seres humanos.
O senhor de fato acredita que não há um valor intrínseco na vida humana que a torna diferente? Penso que o cristianismo dá muita ênfase à santidade da vida humana, e meus pensamentos são vistos como afronta a isso. Mas se você olhar para outras culturas humanas, que não foram influenciadas pela tradição judaico-cristã — muitas delas defendiam o infanticídio como uma coisa normal e até sensível de ser feita. Se a criança tivesse alguma deficiência severa, eles consideravam que seria melhor não deixar essa criança viver. Mesmo hoje, muitas pessoas afirmariam ser uma tragédia menor a morte de uma criança com uma doença severa incurável do que a de um ser humano normal de qualquer idade. Mas também existe esse ensinamento religioso sobre a santidade de todas as formas de vida humana que as pessoas se recusam a abandonar.
Mas não são só os religiosos que se colocam contra seu ponto de vista. Grupos que defendem os direitos de portadores de deficiência costumam organizar protestos em suas palestras, por exemplo. Eu costumo sofrer dois tipos de oposição forte: dos grupos religiosos e das pessoas portadoras de deficiência. A maioria desses últimos certamente não leu os meus livros ou entendeu errado o que escrevi. Eles interpretaram que eu sou hostil às pessoas com deficiência — é claro que isso não é verdade. Acho que seus interesses valem tanto quanto o de todas as outras pessoas. Mas imagine um caso onde um bebê recém-nascido apresenta uma doença severa incurável, que lhe causar muito sofrimento enquanto estiver vivo. Os médicos deveriam fazer de tudo ao seu alcance para estender a vida dessa criança? Muitas pessoas que se viram, como pais, nessa condição, optaram por não usar toda a tecnologia médica disponível para salvar a criança. Eu me envolvi nessa questão ao afirmar que, se a retirada do tratamento não matar imediatamente o bebê, não seria errado fazer algo ativamente contra sua vida. Eu não vejo diferença entre omitir ajuda e dar uma injeção letal. As duas dão o mesmo resultado: a morte da criança. Foi simplesmente isso que escrevi sobre o assunto, e muitas pessoas não gostaram. Mas não é como se eu tivesse alguma coisa contra as pessoas com deficiência, de jeito nenhum.
Esse raciocínio sobre as semelhanças entre omissão de ajuda e assassinato também está na base de seus argumentos sobre a obrigação moral de acabar com a pobreza extrema. Como uma linha de pensamento que leva à defesa da eutanásia também leva à defesa da caridade? Nós costumamos dar muita ênfase ao ato de matar alguém, mas fazemos muito pouco para ajudar as pessoas em situação de pobreza extrema, para impedir a morte de crianças em países pobres por subnutrição ou doenças. Isso mostra que estamos errando no modo como pensamos sobre as consequências de nossas ações. Porque, nos dois casos, o resultado é o mesmo: alguém morre. Nessa questão, eu traçaria uma linha para distinguir entre o julgamento da ação e de seu agente. As ações de assassinato e omissão são igualmente ruins, mas, por causa da diferença de motivação, os agentes de uma e outra não são moralmente comparáveis. Se seguirmos o tipo de julgamento moral que leva em conta regras estritas, quem se omite não está fazendo nada de errado. Mas de um ponto de vista utilitário, existe uma diferença.
O que o senhor defende que seja feito então? Acho que as pessoas deveriam doar parte de seu dinheiro para instituições de caridade. O dinheiro não deveria ir para qualquer caridade, mas para aquelas que realmente demonstrarem que são capazes de ajudar os mais pobres. Não acho que dar esmola para mendigos ou pedintes na rua é um jeito efetivo de combater aa pobreza, uma vez que não sabemos qual será o destino do dinheiro. Precisamos ser inteligentes em nossas doações, procurando evidências sobre como nosso dinheiro fará a maior diferença possível.
O senhor fala sobre a necessidade de levarmos em conta todos os seres que possuem algum tipo de preferência. Se no futuro, os seres humanos conseguirem desenvolver algum tipo de inteligência artificial, o senhor defenderia os interesses dos robôs? A questão central deve ser a consciência. Se o ser tiver preferências conscientes — e tivermos algum modo de saber que ele tem experiências mentais como as nossas — então deveríamos tratá-los como todos os outros seres conscientes. Não existe relevância no fato de eles serem sintéticos ou naturais, sua capacidade de sentir é o que importa.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Perfil de um Pleidiano

Aqueles que têm como origem Pleiades são sensíveis, amáveis e gentis. Há um desejo, de profunda e duradoura paz e felicidade para todos. Se a um ser das Plêiades for perguntado o que querem da vida, eles provavelmente vão dizer: "ser feliz." Pleiadeans têm uma energia agradável e suave que os outros sentem e gostam de estar perto.


Eles são emotivos e amorosos, mas tendem a se reprimir muito devido ao seu desejo de agradar os outros. Eles são sensíveis e reagem rapidamente às críticas. Pleiadeans tendem a sacrificar as necessidades pessoais e desejos durante a tentativa de agradar os outros e isso pode causar ressentimento interior. Em vez de expressar o ressentimento ou raiva abertamente, Pleiadeans podem como alternativa usar um comportamento agressivo passivo na esperança de que seus sentimentos sejam notados e respondidos sem a necessidade de discussão. Eles devem aprender a perceber os outros que procuram agradar normalmente preferem ouvir os seus sentimentos e necessidades. Pleiadeans pode tornar-se fisicamente doente em situações nas quais há raiva, tensão aberta ou argumentos em torno deles, eles absorvem as emoções dos outros, em um esforço inconsciente para mediar situações e suavisa-las. A tendência a reprimir suas próprias emoções e as emoções dos outros absorvida pode formar bloqueios de energia se não for liberada durante um período de tempo. Isso pode levar a doenças físicas eventual.

Uma grande parte da experiência de aprendizagem para Pleiadeans é aprender a permitir que outros experienciem o que eles próprios escolheram e não se envolver pessoalmente. Eles vão aprender a estar ciente de seu desejo de fazer os outros felizes e perceber que só se pode ser responsável pela felicidade pessoal e auto-desenvolvimento. Eles devem aprender a permitir que outros sejam responsáveis por si próprios, seu crescimento e situações de aprendizagem. Eles devem aprender que não podem decidir quando os outros estão felizes, ou o que os outros precisam para ser feliz, e se concentrar em criar sua própria felicidade. Como verdadeira responsabilidade é aceito para a felicidade auto e pessoal, eles vão florescer e o corpo físico irá responder com brilho.

Pleiadeans devem trabalhar para desenvolver habilidades de comunicação em um terceiro nível dimensional e também para desenvolver a auto-estima. É importante para eles recuperar o poder pessoal, aprender a comunicar-se livremente e tornar-se forte por dentro. Às vezes podem parecer aos outros que Pleiadeans são excessivamente reservado e distante. Isto é devido à sua tendência para criticar seus pensamentos a ponto de não compartilhá-las e os problemas da auto-estima. Muitas vezes eles sentem que os seus pensamentos não esta sendo compartilhado o "valor" por exemplo e devem trabalhar nesta área também.

 



Os de Plêiades podem desenvolver padrões de utilização da terceira dimensional como escapa temporária da realidade, falsas ou auxílios na construção de capacidade de comunicação e confiança. Por isso poderiam se aventurar em drogas ou beber, criando dramas sexual ou romântico, ou simplesmente fugir para outras realidades através da televisão, leitura ou filmes.

Pleiadeans liberão sentimentos através do choro. Devido à sua tendência a reprimir as emoções, isso pode construir a um ponto em que a liberação deve ocorrer. Isso pode resultar em choro que aparece como uma reação exagerada a situações atuais. Em vez disso, é uma liberação de muito mais do que a situação atual. Devido à problemas de comunicação que são trabalhadas com, Pleiadians experiência de muitos tipos diferentes de liberar na área chakra da garganta chorando. Também poderia ser freqüentes os problemas físicos ou dificuldade de fala, como tosse, rouquidão, ou aperto no chakra da garganta. Isso não vai mais ocorrer quando a confiança e a comunicação livre de emoções e necessidades são aprendidas e usadas na vida diária. Estes podem ser utilizados como sinais de olhar para dentro o que não está sendo comunicado que precisa ser.

Pleiadeans são muito fortes na fé e confiança. Eles têm um forte senso de propósito desde a infância, uma sensação de saber que existe uma conexão com Deus, propósito e plano, mesmo em sua hora mais escura. Há um desejo interior de buscar respostas espirituais e encontrar sua conexão com a Força de Deus. Como eles começam a buscar e aprender, o crescimento começa.Eles começam a perceber a ligação com Deus e amar-se como os seres perfeitos que todos são.

A Medicina Tibetana no tratamento de transtornos mentais: correlações com a farmacologia ocidental

Por Raquel Luna
Em 1959, Sua Santidade O Dalai Lama (no Tibete é o líder religioso e, até 2011, político também), juntamente com cerca de 80.000 refugiados tibetanos, escaparam para a Índia em exílio político após a ocupação chinesa no Tibete. A partir de então, Dharamsala, uma cidade localizada no norte da Índia, sedia a Administração Central Tibetana. No exílio, os tibetanos buscaram manter as peculiaridades da sua cultura, incluindo sua medicina. Assim, o Men-Tsee-Khang (Tibetan Medical and Astrological Institute) é uma instituição de ensino e prática da medicina tibetana, que foi estabelecido em Dharamsala, na Índia, em 1961 pelo XIV Dalai Lama.
Um estudo de etnofarmacologia, viabilizado por um convênio de intercâmbio entre a UNIFESP e o Men-Tsee-Khang, registrou as fórmulas medicinais utilizadas na medicina tibetana praticada no Men-Tsee-Khang para os transtornos mentais e neurológicos, correlacionando seus ingredientes com estudos da literatura científica quanto à atividade farmacológica. Um artigo sobre este trabalho foi publicado recentemente (ver resumo).
O trabalho de campo, em Dharamsala, Índia, foi realizado entre junho de 2010 e fevereiro de 2011, pelo CEE/UNIFESP, e teve como entrevistados médicos do Men-Tsse-Khang reconhecidos como possuidores de grande experiência e tradição no uso das plantas medicinais.
estudo_plantas_tibetanos
Durante os primeiros cinco anos de formação médica, os futuros médicos tibetanos devem decorar os textos clássicos, além dos treinos das técnicas diagnósticas; acompanhamento de pacientes; e estudo de identificação e coleta dos ingredientes medicinais. Tradicionalmente, o ensino envolve a medicina e a astrologia tibetanas, sem incluir a biomedicina.
Conforme explicação dos entrevistados, a medicina tibetana entende a fisiologia a partir de um princípio humoral. Os três humores, rLung, mKhris-pa, e Bad-kan, estão contidos no corpo humano e coordenam o funcionamento dos órgãos e sistemas. Os entrevistados explicaram que estes humores, ou energias estão, normalmente, equilibrados no organismo humano e que o desequilíbrio destas energias provoca doença.
A teoria física de surgimento das doenças relaciona-se às chamadas causas secundárias, ou imediatas, que são: dieta; comportamento (físico, mental); local (condições climáticas, condições sociais); e espíritos. Já o diagnóstico é feito através da observação, palpação e interrogação, sendo os exames físicos de pulso e urina extremamente importantes. Da mesma forma, o tratamento possui quatro abordagens: 1) dieta alimentar; 2) comportamento; 3) medicamentos; 4) terapias acessórias. Estas indicações serão feitas conforme o humor em desequilíbrio, de modo que as qualidades dos alimentos e comportamentos lhes sejam opostas. Na indicação de uma fórmula medicinal considera-se a variabilidade individual, logo um mesmo remédio não será indicado para todos os casos de uma determinada doença.
O estudo focou nas fórmulas medicinais utilizadas para os transtornos mentais e neurológicos. Na medicina tibetana, contam os entrevistados, a mente é composta pela consciência mais os cinco órgãos dos sentidos. Como todos os órgãos e sistemas, o funcionamento do SNC depende da ação dos três humores. Os entrevistados explicam que existe o estado normal da mente, no equilíbrio, e no desequilíbrio a mente torna-se perturbada. Tanto a mente agitada quanto a mente deprimida são reflexos do desequilíbrio de rLung, ou seja, quando rLung se desequilibra a atividade da mente será afetada, assim como outras funções no organismo relacionadas a este humor.  Para as doenças mentais não há medicação, mas sim para rLung.

tibetan wind horse







“rLung é o cavalo e a mente é o cavaleiro. O cavaleiro, mente, deve conduzir. Se o cavalo é bravo, perturba o cavaleiro. Quando se utiliza medicação, é sempre para o cavalo – rLung.”
Doenças como mal de Parkinson, mal de Alzheimer e esclerose múltipla estão relacionadas ao desequilíbrio de rLung nos ‘canais vitais brancos’ (equivalentes ao sistema nervoso), e nestes casos, não se ministra apenas medicação, mas também as terapias acessórias, como moxabustão, banhos medicinais, agulhas, óleo nos pontos de rLung.
A medicina tibetana praticada pelo Men-Tsee-Khang, a partir dos textos clássicos, possui disponível em seu repertório mais de 2.000 ingredientes medicinais, distribuídos em centenas de fórmulas. O uso das substâncias medicinais ocorre sempre com multi-ingredientes, sendo o uso de um único ingrediente uma exceção. Este sinergismo, segundo os entrevistados, faz com que cada planta tenha sua ação “suavizada”, por isso a fórmula pode ser utilizada por um longo período e provoca menos efeitos colaterais, sendo indicada para um número maior de condições. Pílulas e em pó são as principais formas farmacêuticas utilizadas no Men-Tsee-Khang.
Dentre o universo de 170 fórmulas para tratar os mais diversos distúrbios produzidas no Men-Tsee-Khang em Dharamsala atualmente, a partir de 200 ingredientes, 10 fórmulas foram indicadas pelos quatro entrevistados para os transtornos neuropsiquiátricos, e estas possuem na sua composição entre 8 e 35 ingredientes em cada fórmula. Nove fórmulas indicadas no estudo são pílulas e uma é um incenso.
A partir da revisão na literatura científica, constatou-se que todas as fórmulas indicadas para os transtornos neuropsiquiátricos de fato possuem ingredientes com ação farmacológica psicoativa ou neurológica. Ainda, muitos dos ingredientes com indicação para “desequilíbrio de rLung” não possuem estudos farmacológicos referentes a estas ações.
Entre as plantas medicinais contidas nas fórmulas indicadas, 41 possuíam estudos científicos de atividade biológica. Destas, 31 (75,6%) tiveram seus usos tibetanos coincidentes com atividades biológicas estudadas; e 24 (58,5%) possuem ação neuropsiquiátrica comprovada por estudos farmacológicos. Além disso, todas as dez fórmulas incluem ao menos um ingrediente cuja ação neuropsiquiátrica foi descrita na literatura farmacológica.
Pode-se concluir que práticas médicas tão distintas, como a medicina tibetana e a medicina ocidental, podem ser congruentes em relação ao uso que fazem de certas plantas medicinais, dada a alta concordância entre as indicações terapêuticas tibetanas e os estudos farmacológicos encontrados. No entanto, muitos dos ingredientes com indicação para “desordens de rLung” ou nos “canais vitais brancos” (tecido nervoso) não possuem estudos científicos referentes à atividade psicoativa e podem ser potenciais terapêuticos. Tais estudos se justificam pela grande frequência de doenças mentais e seu impacto sobre a saúde pública, e os prejuízos que causam ao indivíduo.
Referência
Antonio RL, Kozasa EH, Galduróz JC, Dawa, Dorjee Y, Kalsang T, Norbu T, Tenzin T, Rodrigues E. Formulas used by Tibetan doctors at Men-Tsee-Khang in India for the treatment of neuropsychiatric disorders and their correlation with pharmacological data. Phytotherapy Research, 27(4): 552-563, 2013.
Raquel Luna é Naturóloga, Mestre em Ciências e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Do Kybalion à Quântica - a sabedoria que vem do Universo.

O  Kybalion












O  Kybalion, uma das fontes inexauríveis  do saber, no Egito Antigo, é realmente um arquivo, uma coletânea dos princípios básicos  da  Ciência  Hermética. 
Nele está condensada a totalidade dos conhecimentos que os atlantes legaram aos ameríndios  e estes aos indianos que os transmitiram, mais tarde, aos egípcios, mestres dos Gregos, por sua vez, mestres dos Romanos. Nessa Enciclopédia Religiosa,Filosófica e Científica, fala-se  das leis do Absoluto, isto é, das sete leis do Kybalion.  E destes sete princípios fundamentais da velha SABEDORIA INTEGRAL, levados à Índia pelos  Maia-Quichés,  que  me  vou  ocupar,  rápida e sumariamente, no presente artigo.  


“Tudo é pensamento.  Tudo é espírito.  O espírito é tudo.”

É a primeira lei do Kybalion.  A lei do mentalismo, como dizem os livros contemporâneos.  
De  fato, no Universo, em toda a natureza e em todos os seres, só o ESPÍRITO  é evidentemente imutável, porquanto, a mutabilidade da matéria  (MAYA) é um fenômeno cósmico e biológico, ao inteiro alcance dos nossos sentidos físicos. 
Esta é a lei primordial e dela, com efeito, derivam todas as outras. 

“O que está em cima é análogo ao que está em baixo”.

Assim estabelece a segunda lei, uma das mais conhecidas da Ciência Hermética.  É a lei de analogia, de relatividade, a lei universal dos semelhantes, que permitiu aos sábios desse remotíssimo passado partir, com  segurança, do conhecido para o desconhecido e do visível para o invisível.
Foi esta lei que facultou, ao entendimento humano, a concepção nítida de muitas verdades que, ainda hoje, escapam à percepção vulgar da humanidade.  Foi esta lei que deixou entrever as equivalências  existentes entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande e conduziu esses sábios, que não dispunham da complicada aparelhagem dos laboratórios hodiernos, a afirmarem que os sistemas atômicos são  análogos  aos sistemas  astronômicos. 
Foi esta lei que fez Pitágoras dizer aos seus discípulos “conhece-te a ti  e conhecereis  os  Deuses   e  o  Universo”  
Foi esta lei, ainda, que revelou o conhecimento exato da constituição do homem e dos respectivos planos do universo, porque, como ensina a velha sabedoria integral, “o Visível é a condensação do Invisível “.
Esta verdade é, absolutamente incontestável.

“Tudo vibra, postula a terceira lei “.

A própria Ciência Oficial, através dos seus clássicos processos positivos, concluiu que Matéria, Energia, Vida, Luz Pensamento e todos os fenômenos psíquicos e para-psíquicos, como denomina as manifestações do Espírito, resultam da propagação de ondas ou movimentos rítmicos e cíclicos  do éter (tatwas), como os indianos cognominam as vibrações do  AKASHA , o éter  amorfo,  a  matéria  pré-cósmica . 
Não  há  nada  imutável nas amplidões do infinito manifestado.  Os átomos, como os astros, o infinitamente pequeno, como o infinitamente grande, não  escapam ao dinamismo  cósmico,  ao  transformismo  universal. 
Desta grande lei procedem as forças de atração e repulsão, que, conforme o meio em agem, é  coesão  ou  expansão,  amor  ou  ódio. 
Do estudo minucioso desta lei apuraram os Mestres da Sabedoria Integral que “As vibrações harmônicas associam-se mutuamente e que a repetição dessas vibrações aumentam-lhes,  de modo incalculável,   o grau  de  potencialidade  e  de  expansão “.
A  música  reafirma o acerto desta proposição.  A música  e a vocalização perfeita  de  certas  sílabas  ou  palavras. 
De fato, as vibrações orais, os mantras, não atuam, somente no mundo objetivo.  Agem, também, no mundo subjetivo.  Vão do plano físico aos planos mais sutis do universo.
A  palavra sagrada – AUM – emitida, conforme os ensinamentos ocultos, é a maneira mais energética de projetar e propagar as  nossas mais íntimas vibrações.

“Tudo é duplo.  Em tudo há dois pólos contrários”. 

É a  quarta lei    do Kybalion, designada pela Ciência Oficial sob a denominação de POLARIDADE. 
Analisando esta lei, verificaram os antigos que entre o pólo positivo e o pólo negativo existe um ponto neutro.   Entre a atração e a repulsão, por exemplo, surge o equilíbrio.  Entre dois termos opostos, o meio termo.  Entre  a  luz  e a  treva, a penumbra.
Daí a conclusão de que, no mundo da terceira dimensão, no mundo da relatividade, a Terra, toda a doutrina ou principio absoluto, radical, extremista não corresponde às condições características dos respectivos seres.  A anarquia, a desordem, a babel em que, sob todos os pontos de vista, a humanidade, presentemente, se debate, não tem  outra  origem  lógica  e  racional.  
Submetendo o homem ao critério desta lei magna, verificaram que o pólo positivo está no seu  SUPERCONSCIENTE,  o negativo, no INCONSCIENTE  e o ponto neutro, o equilíbrio, o meio termo, no CONSCIENTE. 
Diz a sabedoria integral que realmente, só existe o pólo positivo, porquanto, o negativo é, apenas, uma sombra do positivo.
A soma dos positivos representa o TODO  e a dos negativos o NADA. 

“Tudo  no  Universo  é  cadência  e  periodicidade”.
 

“É  a   quinta lei  ou  melhor  a  lei  do  ritmo  universal. 
Em artigo que tive ensejo de publicar, tratando do biorritmo , afirmei que todo fenômeno cósmico ou biológico, universal ou individual é regido pela grande lei do ritmo e do ciclo.  Do cristal ao éter, da matéria mais coesa à mais expansiva, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do elemental ao homem, nada se exime á lei inevitável e onipotente, que é a conseqüência contínua de duas forças opostas ou contrárias, de uma ação que produz uma reação equivalente. 
Todos os fenômenos físicos ou psíquicos, em última analise, são manifestações rítmicas e cíclicas, tempos de atividade e de inatividade (mavántara  e  pralaya)  série de compassos,  ondas de vibrações.
“Toda  a  causa  tem  um  efeito  e  todo o efeito, uma causa”.  

É a sexta lei que os santos gurus indianos designam   sob o nome de CARMA.
O presente é fruto do passado e semente do futuro. Deste aforismo podemos concluir que não existe acaso e que todo o homem goza da faculdade de traçar  o seu próprio destino.
A lei da causalidade, como é também conhecida, é o alicerce da EXPERIÊNCIA  e, portanto, de toda a sabedoria integral.  Dela com efeito, resultam as teorias, da reencarnação e da evolução, finalidade da vida.

“Em tudo existe um princípio masculino e um princípio feminino”.

É a sétima lei do Kybalion.  É a lei dos sexos.  Não no sentido material de instinto de procriação, mas  na  acepção metafísica que exprime essa dualidade de elementos  opostos,  porém análogos ou semelhantes, que se atraem, giram em torno uns dos outros, unem-se e como que se completam, em todos os planos de universo manifestado.
É esta suprema lei que nos conduz a concepção do  GRANDE ANDRÓGINO , isto é, a união da SUPERCONSCIÊNCIA  com a INCONSCIÊNCIA,  da RAZÃO  com o INSTINTO ,  do ESPÍRITO  com  a  MATÉRIA,  produzindo a CONSCIÊNCIA,  o EGO,  o verdadeiro HOMEM. 
São estas as sete leis do Kybalion,  síntese esotérica dos conhecimentos religiosos, filosóficos, científicos, os três caminhos que levam o INICIADO ao templo da VERDADE, sabedoria integral, transmitida pelos atlantes aos ameríndios e por estes aos povos do Oriente Asiático.
Foram tratados, rápida e sumariamente, porém, com a mais escrupulosa  fidelidade. 
Domingos Magarinos (Gnose  julho 1936)