sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ah, o amor...


... Ai me pergunto:
o que resta,
quando o amor,
o encontro,
estar junto
...
é apenas concessão?...
e quando
sempre há algo mais urgente
ou prioritário....
ou q única companhia é a luz...
o infinito
finito
sempre...

À luz do amor, a cura. À luz do amor...a vida!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

tempo...

nasci na melhor idade
talvez
nem me tenha sido dado
esquecer
inteiramente
...os momentos vividos
para ter certo
o quanto já vivi
e quão pouco aprendi.
descobri:
toda minha ansia
por aprender mais
mera tentativa
de recuperar
o tempo desperdiçado
por que
tempo algum
é suficiente
como se cada dia
apenas segundos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ENQUANTO MUNDO CLAMA POR PROTEÇÃO AMBIENTAL ...

Apesar do posicionamento contrário dos técnicos do IBAMA;

Apesar de o Ministério Público Federal do Pará  ter encaminhado  ofício ao mesmo IBAMA prometendo ações judiciais caso a licença de instalação seja dada com a flexibilização das condicionantes impostas pelos técnicos responsáveis;

Apesar de imposição clara de flexibilização dos prazos para cumprimento de algumas das 40 condicionantes impostar para liberação da LICENÇA PRÈVIA , concedidas ANTES DO LEILÃO DA USINA, que caracterizam uma situação completamente irregular  no desrespeito aos possíveis estudos ambientais;

Apesar de a comunidade científica e técnica discordar enfática e categoricamente da implantação de UMDESEATRE AMBIENTAL na REGIÂO AMAZÔNICA;

O GOVERNO FEDERAL IMPOS A LIBERAÇÂO DA LICENÇA AMBIENTAL PARA CONSTRUÇÂO DA TERCEIRA MAIOR USINA HICRELÉTRICA DO MUNDO NOCORAÇÃO DA AMAZÕNIA. A desculpa é a urgência para evitar o atraso nas obras milionárias, estimadas em R$ 30 bilhões.

Conforme é comum acontecer em situações de impasse técnico – político, o presidente do IBAMA, Abelardo Bayma., pediu demissão alegando motivos pessoais.

Em dezembro, ainda na gestão LULA, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou empréstimo-ponte no valor de R$ 1,087 bilhão à Norte Energia para a implantação da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Belo Monte, no rio Xingu, no Pará tem licença parcial - instrumento que não existe no direito ambiental brasileiro – liberada pelo IBAMA.,nesta quarta-feira, a licença de instalação da usina hidrelétrica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

GANÂNCIA, IRRESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA ... FALTA DE JUIZO!!

NOVAS AÇÔES POLÌTICAS VÃO, NESTE NOVO GOVERNO, ASSEGURAR A DESTRUIÇÃO DO NOSSO PATRIMONIO AMBIENTAL. TUDO DEVIDAMENTE REGULAMENTADO E COM DEFESA DOS POLÍTICOS QUE FORAM ELEITOS PELA NOSSA DEMOCRACIA DOENTE E MANIPULADA PELO PODER AUFERIDO POR NÓS MESMOS.

que paìs è este???





Mata Atlântica do Piauí é destruída para a produção de carvão

De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. O desmatamento é proibido, nenhuma, mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei.

O Jornal da Globo inicia hoje a exibição da primeira reportagem da nossa participação no Globo Natureza, série que nasceu do sucesso do Globo Amazônia. Mas nosso olhar sobre problemas ambientais vai agora além da Amazônia. A reportagem desta segunda-feira (10) trata da destruição da Mata Atlântica no Piauí, para a produção de carvão.

O som da motosserra é o que mais se ouve nas matas do sul do Piauí. Não sabem nem poupar o pobre jumento do peso excessivo.



Nos fornos sofrem os trabalhadores. Proteção, só a do capacete. Nada para suportar a fumaça e a alta temperatura. “É quente demais! Não tem outro trabalho, tem que fazer o que tem”, conta o carvoejador Gisley Omélio.

E vai tudo pro fogo. Até as espécies ameaçadas de extinção. A produção oficial chega a dez mil toneladas de carvão por mês. Mas segundo os ambientalistas, a mesma quantidade é produzida pelos fornos clandestinos.

Morro Cabeça no Tempo é o nome do município que concentra a maior parte das carvoarias. Tem menos de cinco mil habitantes, é o menor da região e um dos mais pobres do Nordeste.
“Se você tivesse vindo aqui nos anos 90, o clima era outro, bem mais agradável, bem mais fresco, dava pra viver muito bem. E hoje a gente percebe que é muito quente”, observa a professora Luzia Luz Neto.

As consequências já são visíveis. A maior lagoa da região encolheu 30%. Rios estão secando, nascentes desapareceram. Uma área, por onde o vaqueiro Claudionor Ribeiro passava todos os dias, era um brejo que matava a sede da boiada e do vaqueiro. Ele conta até onde chegava a água antes da seca dos rios. “Às vezes na capa da cela e quando ficava mais rasa, nas patas do cavalo. E a gente, se precisasse, só fazia abaixar na cela e beber”.

Na região da Serra Vermelha, de grande importância ambiental, três biomas se encontram no mesmo lugar: caatinga, cerrado e mata Atlântica.



De todos os biomas brasileiros a mata Atlântica é o mais ameaçado. Tem apenas cerca de 7% de sua cobertura original. Por isso, qualquer desmatamento é proibido, nenhuma árvore pode ser derrubada. Mas no Piauí as carvoarias desrespeitam a lei e com a conivência de quem deveria proteger a floresta.

Elas têm licença de funcionamento dada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. Mesmo as instaladas dentro da mata Atlântica.

Ao Ibama cabe fiscalizar. O único escritório do órgão no local tem dois fiscais e uma área do tamanho do estado de Sergipe pra dar conta.

“Tem muita produção ilegal e o Ibama não dá conta. Dois servidores não dá pra fazer. Muito do consumo das grandes siderúrgicas chega lá como legal, mas de produtores ilegais que não estão licenciados a fazer carvão e fazem carvão e vendem para terceiros”, fala o analista ambiental do Ibama Hamilton Cavalcanti Júnior.

A produção do Piauí - a legal e a ilegal - carrega cerca de 15 caminhões por dia. O carvão viaja quase dois mil quilômetros praticamente sem barreiras nas estradas.

O polo siderúrgico de Sete Lagoas, em Minas Gerais é o destino de todo o carvão que sai do Piauí. Muitos dos fornos - que produzem ferro gusa - se alimentam da destruição das matas nativas.

Das 61 indústrias que funcionam na região, menos de dez consomem carvão de procedência legal. Uma delas começou há 15 anos a plantar sua própria floresta. Só em uma fazenda tem 21 mil hectares de eucalipto.

“O mundo hoje está exigindo receber ferro gusa verde, de floresta plantada, que tem certificação de floresta plantada, o mundo hoje está exigindo isso”, explica o diretor de empresa Antônio Tarcísio Andrade.

Para o sindicato das indústrias, a saída é a nova lei florestal do estado de Minas que vai obrigar as empresas a consumir carvão vegetal apenas de floresta plantada.

A nova lei mineira estabelece um prazo: a partir de 2017, 95% do carvão consumido pelas indústrias de ferro gusa deverão ser de floresta plantada. Até lá ainda vamos ouvir muito barulho de motosserra nas matas nordestinas.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Piauí não reconhece a área onde estão instaladas as carvoarias como mata Atlântica. O conjunto das reportagens exibidas no Jornal da Globo, nos nossos outros telejornais e programas está no portal Globo Natureza.

MATÉRIA NA ÍNTEGRA: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/01/mata-atlantica-do-piaui-e-destruida-para-producao-de-carvao.html

domingo, 23 de janeiro de 2011

pensamentos da aurora ...

Obrigada, João Gilberto!!
Namastê!




" Não me importa saber se é estreito o caminho,
ou se são duras as penas impostas pelo rito,
eu sou o dono de meu destino,
sou o capitão da minha alma. "

...( William Ernest Henley )

Poema Triste ( Mario Quintana )

Eu escrevi um poema triste Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
...
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves

Faço barcos de papel!


Timidez
( Cecília Meireles )

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve...,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

e um dia me acabarei.

Poema Triste ( Mario Quintana )

Eu escrevi um poema triste Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza

Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves

Faço barcos de papel!


"o amor medido"

Para João Gilberto.

nem a hora podia
dizer
ao certo,
nem a vontade de
expressar o coração -
um bater dilacerado
no peito,
nó na garganta
de grafite... e o verso
a romper o
sonho.

o amor é tudo
indizível.
ramo de vida,
rastro de quântica imensidão,
habitando o centro
do âmago
das chances perdidas.
dez para algum tempo

e a prova dos novos
conceitos caiu
feito lágrima.
amar é amar e
ponto de interrogação.
nunca saberemos
onde o infinito
dito
se alojará.

em que palavra?
em que promessa?
em que abraço?
em que beijo?
com que lua?
com que saudade
a vida
verterá
essa miríade de
sentimentos bons?

e amamos
por amar. isso,
para muitos é
felicidade.
para outros,
labirinto.
ai, quem agora
me sinto?

(pelo olho
me recolho
em algum
poema)

dai-me a expectativa
de repetir
quantas vezes for
preciso:
vital é o amor!



...
Ficar atento aos pensamentos - na busca permanente da expansão da consciência, e evitar que os sentimentos sejam um processo mental é a luta constante contra o ego. É preciso vigiar o monstrinho dentro. É ele que nos enfraquece e permite o medo, o controle exterior.

mente...

Foto arquivo particular. Poço Feio. Barra d'Alcântara.Série Paisagens do Piauí


... a mente, como o tempo, não para...
...não para o tempo ...
...para a mente...
...que mente.

"existência"

Ainda a Caatinga...Foto acervo particular. Paisagens do Piaui.Oeiras



o sol,
do infinito,
observa
...o poeta :

(há um silêncio
de grafite
entre as gretas
de luz)

que será
da vida
desse ser
na Terra,

que fará
de grande
no último
instante,

(a pino,
sagra calor
e meio-dia)

quando ofusco
os seus sonhos
de sons, furtando-lhe
as madrugadas?


Adriano Nunes

sábado, 22 de janeiro de 2011

POR AMOR...( PER AMORE...)



PER AMORE...



Io conosco la tua strada ogni passo che farai
Ie tue ansie chiuse e ivuoti sassi che allontanerai
Senza mai pensare che come roccia lo rittorno in te ...

Io conosco I tuoi respiri tutto quello che non vuoi
Io sai bene che non vivi
Riconoscerlo non puoi e sarebbe como se
Questo cielo in flamme ricadesse in me

Come scena su un attore ...

Per amore hai mai fatto niente solo
Per amore hai sfidato il vento e urlato mai ?
Diviso il cuore stesso pagato e riscommesso
Dietro questa mania che resta solo mia

Per amore hai mai corso senza fiato
Per amore perso e ricominciato
E devi dirlo adesso quanto de ti ci hai messo
Quanto hai creduto tu in questa bugia

E sarebbe como se questo fiume in piena risalisse a me

Como china al suo pittore

Per amore hai mai speso tutto quanto la regione
I tou orgoglio fino alpianto
Io sai stasera a resto non ho nessun pretesto
Soltando una mania che è ancora forte e mia
Dentro quest'anima che strappi via

E te lo dico adesso sincero con me stesso
Quanto mi costa non saperti mia ...

E sarebbe como se tutto questo mare
annegase in me...

Ela está em ti e tu estás Nela. Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltarás novamente.

"Você não apenas está aqui, mas 'é' a própria Terra.
Acredite nisso e lute pela Humanidade e por toda a Vida.
Tenha fé e entregue o seu coração com a mesma pureza que uma criança o faria"


  
Leia com os olhos da alma esta bela oração essênia à Mãe Terra e reflita, sinta...

 “Abençoado seja o Filho da Luz que conhece sua Mãe Terra
Pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolverás.
 Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
O sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
Borbulha nos riachos das montanhas
Flui abundantemente nos rios das planícies.
 Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
O alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
E os sussurros das folhas da floresta.
 Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra. A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
Nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
Que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho. 
Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
Em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
Ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste,
Nela tu vives e para Ela voltarás novamente. 
Segue, portanto, as Suas leis
Pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também.
Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra
Não morrerá jamais,
Conhece esta paz na tua mente
Deseja esta paz ao teu coração
Realiza esta paz com o teu corpo.”

Oração à Mãe Terra - oração essênia - Evangelho dos Essênios

Paz e Luz
Namastê!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A RECEITA PARA UMA TRAGÉDIA

Greenpeace


Notícia - 17 - jan - 2011
 
Desmatamentos e ocupação de áreas que deveriam ser preservadas, somados às chuvas cada dia mais intensas, são a combinação perfeita para o drama das enchentes. 

 
Nova Friburgo (RJ) - O bairro de Duas Pedras ficou destruído com as fortes chuvas que atingiram o município de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Valter Campanato / ABr
Classificada pela imprensa como o maior desastre natural brasileiro, a enchente que desde terça-feira, 11 de janeiro, acarreta um número recorde de mortos - mais de 670 até o momento, milhares de desabrigados e perdas de produção agrícola na região serrana do estado do Rio de Janeiro é o resultado de uma equação perigosa: eventos climáticos cada vez mais extremos, como chuvas intensas e por longo período e áreas fragilizadas por desmatamento.

Pouco mais de mil quilômetros separam o palco das enchentes e Brasília, arena onde deputados ligados ao agronegócio batalham por mudanças drásticas no Código Florestal brasileiro. Por esta estrada cruzamos alguns dos mais de 100 municípios em situação de emergência ou calamidade pública no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na paisagem, dois dos biomas brasileiros mais desmatados: a Mata Atlântica, que perdeu 93% de sua cobertura florestal, e o Cerrado, devastado pela metade.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da ONG SOS Mata Atlântica, na última década, o ritmo de desmatamento da Mata Atlântica se manteve em torno de 34 mil hectares ao ano, uma área equivalente a quase 350 mil campos de futebol de mata nativa. No Rio de Janeiro, estado mais castigado pelas chuvas, mais de 80% de floresta já foi desmatado.

Também segundo o INPE, os últimos 60 anos foram de aumento gradativo da intensidade das águas. Chuvas acima de 50 mm por dia, algo raro até a década de 1950, hoje ocorrem entre duas a cinco vezes por ano na cidade de São Paulo, por exemplo. No dia de maior temporal em Nova Friburgo foram 182,8 mm, o que equivale a dizer que para cada metro quadrado, quase 183 litros de água caíram do céu. Em Teresópolis foram 124,6 mm de chuva.

“Eventos extremos, que tendem a aumentar por conta das mudanças climaticas, têm sido cada vez mais freqüentes e intensos. Se há dúvidas sobre como lidar com o problema, existe ao menos a certeza de que a solução não é a derrubada de mais floresta”, diz Nicole Figueiredo, coordenadora da Campanha de Clima do Greenpeace.
Enquanto isto, em Brasília, os deputados ruralistas insistem em transfigurar a legislação florestal. É o caso das Áreas de Preservação Permanente (APP), cuja função é proteger margens de rios, encostas e topos de morros, garantindo a estabilidade geológica e a proteção do solo. Se depender da turma da motosserra, algumas faixas de APP serão reduzidas até pela metade. A proteção de beira de rios com larguras de até cinco metros, por exemplo, passariam dos atuais 30 metros para 15. Ficariam liberados para ocupação também os topos de morro, montes, montanhas e serra e áreas de várzea.




Para visualizar o resultado do ideário da motosserra, basta olhar as imagens da tragédia da região serrana. Aos pés de morros lambidos pela terra, o fruto deste tipo de ocupação e do desmatamento de áreas que deveriam ser preservadas, à revelia do que hoje prevê o Código Florestal, é de pura destruição.
“A legislação florestal existe com um propósito claro, o de assegurar o bem-estar da população. É por questão de segurança que há a necessidade de proteger o solo e os rios”, diz Rafael Cruz, da campanha de Florestas do Greenpeace. “As alterações são propostas pela bancada ruralista são irresponsáveis”, complementa.

O Brasil tem mais de 40 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente ocupadas irregularmente, uma área equivalente ao estado de Minas Gerais. Muitas destas regiões desmatadas estão em municípios que hoje estão em calamidade pública como Petrópolis e Teresópolis, que já perderam 70% de sua cobertura florestal, e São João do Vale do Rio Preto, com quase 80% desmatados.

A bancada ruralista também espera conceder ampla anistia a quem desmatou até 2008, o que inclui as APPs. “A proposta segue na contramão da necessidade de recuperação de regiões frágeis, seja nas cidades, ou em áreas rurais, responsáveis pela produção de alimentos e o abastecimento de água para as áreas urbanas”, completa Rafael Cruz.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Desastres da Ação do Poder e da LEI HUMANOS...QUEM SÂO OS RESPONSÁVEIS?

Reintegração de posse destrói sonhos de 100 famílias em Murici
Acampamento Bota Velha



Sede onde as famílias se reúnem no acampamento

 
Acampado trabalhando na Casa de Farinha de Bota Velha



Entrada do acampamento Bota Velha, em Murici



Hoje, 19 de janeiro de 2011, um dia antes da data prevista para a reintegração de posse do acampamento Bota Velha, em Murici, foi publicada uma reportagem onde a manchete foi supostamente uma afirmação da CPT: “O sangue vai dar na canela”. Porém, tal frase jamais sairia de um organismo cristão.
De acordo com os representantes da CPT em Alagoas, em nenhum momento a entidade previu um clima hostil em uma reintegração de posse, muito pelo contrário, sempre prezou pela paz. Jailson Tenório, coordenador da zona da mata, ressalta que somente neste mês de janeiro já houve quatro reintegrações e em nenhuma houve conflito.
O caso de Bota Velha é destacado porque as famílias acamparam muitos anos antes de a Usina Santa Clotilde arrendar esta fazenda, o que só aconteceu em 2006, e durante todo este tempo o acampamento se manteve produzindo. Apenas em 2010 a Usina resolveu entrar com a reintegração de posse que está marcada para amanhã (20/01).
Os trabalhadores rurais do acampamento mencionado estão há 9 anos produzindo alimentos, morando, criando e educando seus filhos e filhas. São mais de 100 famílias que hoje vivem momentos dramáticos, pois toda a vida do acampamento está estruturada, com vários hectares de terras plantados; energia elétrica nas casas de taipa (não mais barracos de lona), muitas cobertas com telha, assim como a casa de farinha; duas sedes, com 3 turmas de escola funcionando, as quais foram alvo de reportagem da Gazeta de Alagoas em meados de dezembro de 2010.
A notícia da reintegração de posse chegou como mais uma tempestade no município devastado pelas enchentes do inverno passado, o qual recebeu a solidariedade do acampamento, através da distribuição dos alimentos lá produzidos para saciar a fome dos desabrigados. Em termos cristãos, Bota Velha repartiu do pão e agora está entregue a própria sorte.


Mais informações: (82) 9127-2364 / (82) 9127-2364 / (82) 9127-5773 / (82) 9341-4025

Comissão Pastoral da Terra – Alagoas
Lara Tapety – Relações Públicas – (82) 9305-6290
Setor de Documentação e Comunicação - (82) 3221-8600

O pão que o Estado amassou

*Carlos Lima


O ano de 2011 para as famílias acampadas começou de forma impactante. Não passou nem o primeiro mês do ano o Juiz Agrário, Airton Tenório, e o Governo de Alagoas – no segundo mandato de Teotônio Vilela, com um giro ainda mais à direita –  estão com disposição de leão.
Eles Já desalojaram 123 famílias, destruindo moradias e alimentos, num Estado de esfomeados. Já foram destruídos, somente em janeiro, 63 hectares de alimentos nos acampamentos acompanhados pela Pastoral da Terra (em Messias, nos acampamentos Pachamama: 40 famílias e 05 hectares de alimentos destruídos; Baixa funda: 26 famílias e 10 hectares de alimentos; Flor do Bosque 2: 18 famílias e 33 hectares destruídos e; Gitirana: 39 famílias e 15 hectares de alimentos destruídos). No caso do acampamento Gitirana, este merece um comentário a parte. Em visita ao imóvel, o juiz disse a este coordenador e aos acampados que área era improdutiva e ele não daria reintegração de posse, mas concedeu.
A Vara Agrária e governo estão utilizando a estratégia de promover tamanha violência no inicio do ano, que enquanto ainda reina o clima de comemorações ou férias, as reintegrações estão acontecendo numa velocidade assustadora (quem dera a reforma agrária caminhasse no mesmo ritmo), numa clara intenção de passar o rolo compressor sem que haja qualquer tipo de reação da sociedade.
Na próxima quinta, 20 de janeiro, está agendada a reintegração de posse da fazenda Bota Velha, em Murici, cidade arrasada pelas chuvas que caíram em junho de 2010, na qual centenas de famílias estão desabrigadas, 489 morando de forma indigna em barracas, esquecidas pelo poder publico.  Na tragédia de junho os acampamentos e assentamentos da região doaram muitos alimentos aos atingidos. O Estado, que ainda não construiu uma casa sequer para as vitimas das enchentes, pretende ampliar para 589 o número de barracas.
Numa reintegração como a do acampamento Bota Velha – onde as 100 famílias estão há 9 anos produzindo alimentos e construindo vida em comunidade, com escola,  capela, catequese e energia – não se trata apenas de um despejo, mas de colocar uma “pá de cal” na vida de muita gente. Gente jovem, gente idosa, gente criança, seres humanos, filhos desta pátria, que enxergam na reforma agrária a possibilidade de voltar a viver, de construir futuros, de buscar horizontes.
As “outoridades” que vão empurrar essas famílias para as periferias de Murici e Maceió, entregando-as como reféns do tráfico e da marginalização, decidem a vida das pessoas, a partir dos seus mundos, de suas castas, com salários robustos, dos seus compromissos de classe.
Caso o despejo da Bota Velha seja concretizado, vamos chegar à soma de 223 famílias despejadas e 95 hectares de alimentos destruídos. Considerando que o despejo pode acontecer no dia 20 de janeiro, vamos ter uma média de 11,15 famílias desalojadas por dia e 4,75 hectares de alimentos destruídos por dia. Fica difícil não fazer uma relação direta com 56% da população consideradas pelo senso do IBGE como extremamente pobres.
A vida, a dignidade da pessoa humana deve prevalecer diante de injustiças centenárias. O Estado criado para regular a sociedade não deve continuar apoiando as mesmas elites escravocratas de sempre, tem que incluir as famílias e garantir terra, moradia e renda. Do contrário, estamos próximos da barbárie.

*Coordenador da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT/AL) e formado em história pela UFAL 

Revisão e edição: Lara Tapety
Acesse o blog: www.cptalagoas.blogspot.com
Também no twitter: @cptalagoas

Apaixonada: Humanidade, um devaneio.

Notícias de desespero, dor e medo. Incerteza do futuro , fragilidade presente... questiono a mim mesma o que tem me motivado a desistir de tantas conquistas individuais adquiridas para dedicar tantos anos de minha vida ao vale entre colinas. E por que tamanha tristeza que faz doer de saudade cada período de tempo afastada de minha querida Oeiras.

A cada dez dias contados distante, a cada lua cheia, o coração aperta e dói tanto que não consigo conter as lágrimas. Dói de saudade e frustração, dói de saudade e dor pela tristeza dos amigos, dói de frustração da impossibilidade de realizar ações tão simples, que mudariam facilmente o destino de tantos jovens, adolescentes, crianças e idosos - amigos tão queridos, que vejo passar por situações de pobreza física, por vezes emocional, sempre situações impostas por condições de miséria humana.

Fico aqui, do meu canto, a questionar por que a mesquinhez, a necessidade egocêntrica de manter controle e poder são agentes geradores de miséria que freiam o crescimento e a libertação das pessoas.
O que torna esses elementos geradores de miséria tão fortes, que mantém tanta gente sob controle e tão barato? Até quando a doença emocional de grupos de almas doentes apegadas a valores tão pequenos e superficiais vai manter meu povo escravizado, humilhado?

Medo ...
O medo escraviza.
Dinheiro é apenas instrumento de controle. É chicote e pelourinho.
Poder é o alimento dos abutres.

Que sina, ou karma é esse que me torna tão absurdamente sensível e suscetível ao sofrimento alheio? - Tão bom seria ter mantido a vida inteira minha armadura e simplesmente ser capaz de assistir à dor, ver feridas, mutilações, cortes e chicotadas como simples observadora e deixar tudo passar.

Mas não consigo permanecer em paz, dormir e acordar anestesiada em minha cama macia. Adormeço e as imagens impressas em minha mente me transportam para o vale do Mocha e do Pouca Vergonha. Para as margens do Canindé, do Talhada e do Poti... Sinto a dor da Mãe Terra, atacada pela ganância e inconsciência.
Sinto a dor de cada mãe de Oeiras, com seus filhos perdidos, sem sonhos.
Tanta gente em desespero, ou sem vontade de viver... sem horizontes.
Outros se enganando, agarrados a migalhas de goma tingidas de dourado, enganados e se enganando, espelhados na luxúria e luxo dos poderosos...


A paixão é esse tal sentimento que inebria e faz perceber tudo apenas com o coração. O que permite o amor acontecer é nos tornarmos conscientes do espaço vulnerável dentro de nós. Tão pequenos e frágeis, faltam- nos espelhos.
A partir do amor em compaixão, a consciência se expande e, com ela, possível ver com o coração.

Desapaixonar-se da humanidade talvez seja a meditação necessária.