quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A caixa já está cheia, Seu Dito!



Onde construíram o Banco do Brasil , ficava a casa de Tia Calu. Era lá onde passava minhas férias de julho e dezembro. Passava o resto do ano a sonhar com aqueles momentos. Tio Vicente era um homem íntegro, de postura séria e ao mesmo tempo, doce, simpático, fraterno. Enquanto a casas esteve lá, o via, no final da tarde, branco, sem camisa, calças folgadas, a observar o movimento da rua. D. Zelinda voltava da loja, Ditim fechava a farmácia, Ritinha, Teté,  desciam da feira... Todos os primos e tios estavam na cidade e era lá o ponto de encontro. Ninguém se atrevia a vir a Oeiras e deixar de passar por lá. Eram os melhores dias da minha infância e adolescência. Criada distante,  sonhava um dia fazer parte daquele contexto.
Mas não era ainda de mim que pretendia contar , e sim da lembrança que me ocorreu há pouco: o poço, a bomba e a caixa d’água da casa de Tia Calu. Todas as casas da cidade tinham seu poço, a bomba, a caixa e um serviçal que puxava água no final da tarde e pela manhã. Acordava com os passos de Seu Dito, no corredor que levava ao quintal e, através dele, à bomba.  A água da caixa, cedinho, era sempre gelada. Preferia o banho à tarde, quando a água já estava morna, depois de um dia de sol quente.  Da cozinha ficava a escutar os movimentos da manivela, o sim da água a cair em jorros, no inicio percebia a queda do jorro d’água pouca, subindo aos poucos, a cada braçada, até vazar pelo ladrão. O cano que ficava no topo, mostrava que a caixa estava cheia. Seu Dito gostava de dar umas bombadas a mais para deixar “esborrar”.  E ele bombeava e olhava para o cano, no alto, e gostava de ver a água escapar, em pedaços. A expressão de sua face me parecia um riso aliviado. Como se aqueles pedaços d’água saíssem de seus olhos. Gotas de lágrimas a limpar as dores da solidão.
Talvez seja assim com a gente.
Às vezes as dores doem tanto, como aquelas bombeadas, no peito...
Transbordam pelos olhos em lágrimas... Vazam . . .aliviam em forma de sorriso.

4 comentários:

Augustopr disse...

Simplesmente lindo seu texto, palavras vindas do coração, que me fizeram encher os olhos d'água...lembraram dos tempos da minha infância também... se puder e quiser visite o recanto das letras, escrevo algumas coisinhas por lá... procure por augustopr... ficarei muito feliz! bjs

Augustopr disse...

Muito lindo seu texto, fiquei com os olhos marejados lembrando também dos momentos de minha infância... Escrevo algumas coisinhas no Recanto das Letras, se puder e quiser me visitar, procure por augustopr, ficarei muito feliz. bjs

Ideário Oeirense disse...

Obrigada pelo carinho, Augusto. Irei lá ao recanto sim.Abraço!

Ideário Oeirense disse...

Mariú Gondim do Facebook:
Entendi, não... Tá igual! Quer dizer... falta liberar o comentário...:)
- ‎???
- onde? liberar?
- Deixei um comentário, mas só depois de vc aprovar é que ele é liberado pra publicar
- okok
- mas nao apareceu em lugar nenhum ainda...
- Ah, deixa pra lá... Era só pra dizer que AMEI e que acho vc maravilhosa, delícia poder dividir suas memórias!.... Mas isso vc já sabe \o/ Bjs.
- ah.. obrigada, querida! queria publicar. nao apareceu. : ( Vou potar daqui pra lá. bjosss