terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PERDAS EMOCIONAIS E O INCONSCIENTE COLETIVO EM OEIRAS


Josevita Tapety
Arquiteta e Urbanista

Século e meio após a transferência da capital de Oeiras para Teresina (1852 - Conselheiro Saraiva) nos parece até aceitável o estado de conformismo e depressão social da Velha Capital, onde o sentimento do “já teve e já foi” impera sobre todas as potencialidades humanas, históricas, culturais, físicas e geográficas da cidade. Afinal, foram tantas as perdas emocionais que se apresentaram uma após outra, que ficou realmente difícil voltar a crer num futuro promissor e enxergar todo seu potencial criativo.
Agir! Reagir! Realizar!
Transformar nosso espaço, abrir espaço ao novo, redefinir conceitos e adequar os antigos à realidade do presente. tudo isso vem naturalmente, para fazer da cidade um local de convívio harmônico, na medida em que o velho e o novo se unem através de elos contínuos e contíguos.
Gente pode tudo! Levantar e realizar, ou permitir-se parar e deixar-se conter no marasmo. Há tantos valores guardados, escondidos em cada recanto dessa velha-nova cidade... O potencial humano, criativo, capaz de construir desenvolvimento social e econômico tem sido castrado ao longo da história no Piauí e, em Oeiras, de forma ainda mais contundente. Passamos nós mesmos a crer que somos menos, menores. Empobrecidos, certamente. Menos capazes,  de forma alguma! Pelo tanto já perdido ou deixado levar, pelo muito esquecido no fundo dos baús empoeirados, é hora de retomar nas mãos o tesouro que a todos nós pertence. Não há mais tempo a perder!
Percebe-se, em cada esquina de Oeiras, enorme efervescência cultural, emocional. No entanto, contida! Talvez pelos mais de três séculos de competição entre faces do poder (e o poder emana do povo...) Toda força dessa gente tem-se contido, como em caldeirão no fogo - o vale entre as “doces colinas”- , igreja ao centro, a praça...vazia.
Sintomático o poder controlador da igreja, no centro de tanta energia produtiva adormecida: por um lado a manter fervorosas tradições, por outro, a conter a força de tantos vivos e idos. Nesse torpor deixa-se de ser todo o seu     potencial      para     se      permitir fechar e cozer entre as minguantes águas  doMocha e do Canindé.
Sintomático é permitir sabotar a força vital, tal qual o sucumbir das águas do Mocha, concretadas as nascentes  criminosamente  sob  toneladas de cimento; assassinar o verde e o frescor da malva, a cor da jitirana.
Tanto a fazer, realizar...
Até que ponto é inconsciente esse permitir-se sabotar pelo ego de uns contra tantos eus?
Toda herança e memórias de nossas vidas constituem o inconsciente coletivo que alimenta a força motriz e o potencial criativo da cidade. Este potencial, uma vez liberto e estimulado, promove as mudanças (de comportamento, visão, direção), gera riquezas e constitui novos valores, gera consciência crítica, independente de tempo e espaço.
“Apesar de termos feito tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...” Válido!  quando a tradição é de honra, orgulho e glória. Muito pouco, entretanto, se o resultado é pura estagnação.
Dividir, para somar depois!
Multiplicar, para ter o que dividir!
Somos muitos. Sabemos voar. Podemos!
A altivez da postura cristã na vida do oeirense é forte, fervilhante, e acompanha seus filhos por onde eles vão. Como um chamado dos que são memória, pelo muito que fizeram, doando de si no exemplo, transformando suas terras em ruas e avenidas para permitir acolhida aos novos filhos, aos que “beberam da água do Mocha”, permanecendo aqui, chegando ou retornando ao “berço sagrado” na Velha Capital, por ver nela o futuro: Invicta! Coberta de louros... Sempre!

publicado por oeiras_brasil às 18:06

Um comentário:

Carlos Hermes disse...

Poxa, parabéns pelo belíssimo e bem construído texto Josevita, nada que surpreenda vindo de você.

Concordo com sua visão, Oeiras precisa com as potencialidades do século XXI, sem perder sua história e suas tradições.

Estou fora de Oeiras há 16 anos, mas nunca consegui sair de fato. Essa é a capacidade dessa terra de nos aprisionar pela paixão de ser oeirense, onde quer que estejamos.